Osteoporose e o VIH


Segundo um novo estudo, o ácido zoledrónico mostra-se eficaz no combate à osteoporose (perda de tecido ósseo) associada ao HIV. E diversos estudos indicam que os indivíduos infectados pelo HIV, apresentam uma maior predisposição de sofrer de osteopenia e osteoporose. Mesmo considerando que o envelhecimento natural, como a menopausa, são factores de risco correntes, também se suspeita que o tratamento com anti retrovirais e a própria acção do vírus pode provocar uma perca da densidade mineral óssea (DMO). Um estudo publicado na 2ª edição de Janeiro da revista AIDS, uma injecção única de zoledronato (ácido zelodrónico, Aclasta R na Europa e Reclast R nos Estados Unidos) melhorou consideravelmente a saúde óssea em indivíduos portadores do vírus da SIDA. O zoledronato é um medicamento da família dos bifosfonatos, indicado e aprovado, entre outras indicações, para o tratamento da osteoporose em mulheres pos menopáusicas e em homens com pré-disposição e alto rico de fracturas. Para avaliar a eficácia do princípio activo do zoledronato intravenoso no tratamento da osteopenia e da osteoporose associadas ao HIV, os responsáveis pelo estudo realizaram um estudo de um período de 12 meses, duplo cego, com a admnistração aleatória e controlada com placebos, em que se admnistrou uma dose única de 5mg de zelodronato ou placebo por via intravenosa, a 30 homens e mulheres infectados pelo vírus, com osteopenia e osteoporose. Além da admnistração da dose de zoledronato ou do placebo, todos os participantes no ensaio/estudo recebiam diariamente suplementos vitamínios de cálcio e de vitamina D. A densidade da coluna lombar e dos ossos da bacia, foram medidos antes do início do estudo, assim como aos 6º e 12º meses de tratamento. Analisaram-se também os bio-marcadores do metabolismo ósseo no começo do programa terapêutico, 2 semanas depois e ao 3º, 6º, 9º e 12º mês. Entre outras análises, utilizou-se uma prova T de Student, para avaliar as alterações da DMO (densidade mineral óssea) e dos marcadores ósseos. Dos 30 indivíduos seropositivos (27 homens e 3 mulheres com uma idade média de 48 anos) que participaram no ensaio, a média das pontuações T no início do estudo, foram de 1-7 na coluna lombar e 1-4 na bacia. A média dos linfócitos T CD4 era de 461 cúlulas/mm3, 93% dos indivíduos apresentavam uma carga viral inferior a 400 cópias/ml, e 97% estava a fazer medicação antirretroviral. A DMO (densidade mineral óssea) absoluta ou ajustada por sexo, melhorou de forma significativa nos indivíduos aos quais foi admnistrado o zoledronato comparativamente ao grupo de placebo. Os marcadores de reabsorção óssea diminuiram de forma significativa ao longo do período do estudo com o zoledronato em comparação com a de control. Não se detectou nenhuma reação aguda, excepto num paciente que desenvolveu uma uveíte, uma inflamação ocular associada ao ácido zoledrónico, que respondeu à terapia. "Os investigadores concluíram neste pequeno estudo, que a admnistração anual de zoledronato, parece ser uma terapia eficaz e bem tolerada para a perda de tecido ósseo associada ao HIV"

Fonte:Grupo de tratamentos VIH
Tradução e Composição: Pedro Serrano

4 comentários:

alex disse...

A osteoporose é um problema que afecta principalmente as mulheres depois da menoupausa. Não sabia que a toma de retrovirais iria agravá-la tanto nos homens como nas mulheres.
O tratamento que é anual e parece-me bastante simples já está a ser administrado gratuitamente em Portugalaos portadores de HIV ?
jokas grandes

Paulo - Intemporal disse...

Viva Raul

Congratulo-me com mais esta arma na amenização dos efeitos colaterais causados por anos a fio de consumo de retrovirais.

Porque a osteopenia e a osteoporose são uma afronta directa à qualidade de vida, um sério passo para a imobilização e todas as consequências que tal facto acarreta.

Um abraço à equipe.

Fatyly disse...

Mais uma descoberta que diminui a destruição da densidade mineral óssea de que padece desse malvado virús! Passo a passo chegarão lá e ontem ouvi que o virus HIV é actualmente o mais estudado pelos cientistas de todo o mundo.

Gostei desta noticia informativa que desconhecia.

Beijos

M. disse...

Desconhecia totalmente esta associação da osteoporose a pessoas que tomam retrovirais. Tal como nunca ouvi falar desse composto que parece eficaz no retardamento do problema em infectados com HIV. A osteoporose está a aumentar enormemente entre a população em geral e tudo o que conheço são os concentrados de cálcio e vitaminas para o seu combate. É caso para dizer que os infectados pelo HIV estão em boas mãos já que continuam as investigações/descobertas sobre os efeitos dos retrovirais de modo que se proceda atempadamente ao combate dos mesmos ou à sua minimização.

Abraços