QUANTOS SOMOS?


Li algures que Portugal parece ter um complexo em querer estar sempre acima dos outros naquilo que é mau.Eu diria que o nosso grande problema é uma desorganização total e uma falta de profissionalismo em quase todas as áreas. Devemos ter menos de 30.000 infectados com o VIH, dizem as estatísticas mas o certo é que ninguém sabe o número exacto de infectados. Se quisermos saber o numero exacto de pessoas infectadas fazendo o tratamento retroviral ou de novos infectados o panorama é semelhante ninguém sabe.

Pergunto-me se os retrovirais, dados aos doentes são comprados na “Candonga” pelo estado e se não há registos dessas compras. Não terão as farmácias hospitalares um registo do numero de doentes que levantam medicamentos para o VIH? Com uma margem de erro muito pequena (originária na medicação dada a doentes internados), poderíamos saber quantos doentes fazem a medicação, penso eu.

Não queremos saber e apenas se falam em números como que para impressionar os interlocutores e mostrarmos que temos tudo controlado se bem que esses números não expressem absolutamente nada isto se para os considerarmos certos lhes atribuirmos os valores reais aprendidos nos primeiros anos de escola.

Recentemente foi noticiado, que o Hospital Amadora Sintra tinha cerca de cinco novos casos de doentes HIV/SIDA diariamente. A noticia teve tanto impacto que a Coordenação Nacional para a Infecção pelo VIH, ficou com os cabelos em pé e pronunciou-se sobre estas declarações achando-as contraditórias.

Afinal onde está a verdade? São reportados cerca de 200 novos casos ano e estima-se que iniciem a terapêutica retroviral 120 pessoas ano.

Em 2009 (até há uns dias atrás) ainda não tinha sido reportado um único caso. Será que baseados nesta constatação poderão afirmar que as novas infecções acabaram em Portugal? Acho que isso não seria tão grave e nos daria um certo orgulho, do que falarem em números catastroficamente elevados como o fizeram.

Pede-se rigor na informação que é noticiada oriunda de [ir]responsáveis dos serviços de saúde, que em nada servem a comunidade de pessoas que infectadas ou afectadas se preocupam com o alastramento da pandemia.

Pede-se que haja responsabilização daqueles que noticiam sem verdade causando um alarmismo em nada benéfico para aqueles que vivem a SIDA todos os dias de suas vidas, quer por estarem infectados ou afectados e que trabalham para desmistificar a doença em si e para prevenir o seu alastramento.

Não sabemos ao certo quanto somos, mas somos muitos. É importante sabermos com uma margem de erro mínima quantos somos. É igualmente importante sabermos com rigor quantas novas infecções estão acontecendo ano após ano, e as fachas etárias onde as novas infecções estão acontecendo, para dirigirmos o esforço na prevenção para essas populações.

Certamente não será por falta de meios financeiros que esse trabalho não é feito, mas sim por uma preguiça crónica dos responsáveis por essa informação, ou por um sistema burocrático demasiado complexo nas notificações a fazer o qual devia ser simplificado.

Afinal , quantos somos e quantos mais se juntarão a nós durante este ano? Eu não sei, o leitor também não e se nos basearmos na informação disponível e credível, facilmente poderemos concluir que ninguém sabe. Uma coisa é certa e poderei afirmar com verdade “SOMOS MUITOS” e é desejável que quantos menos se juntarem a nós ,tanto melhor para todos.

A IGREJA NÃO SABE NADAR


De regresso ao Vaticano o Papa acaba a sua viagem evangelizadora a África. Banhos de multidões e até mortes por asfixia de fieis que queriam assistir à missa papal e que se aglomeravam à entrada dos estádios onde o evento se realizava. Sobre estas mortes não ouvi sequer uma palavra da boca do Papa. Ouvi que lhe tinham escondido a ocorrência, mas se eu e tantos outros tomámos conhecimento do ocorrido como se pode esconder algo que é revelado pelos meios de comunicação social. Será que também lhe escondem a mortandade em relação às mortes causadas pela SIDA?
Certo é que a igreja em questões de sexualidade e SIDA, está a meter água , muita água e o pior desta inundação é que a igreja não sabe nadar. O celibato poderá até ser aceite pelos membros do clero, embora me choque que esse celibato jurado e não cumprido por muitos clérigos faça vitimas muitas delas crianças em acções pedófilas, para além de destruir famílias e casamentos deitando em descrédito as doutrinas proclamadas pela igreja.
De volta a casa, era desejável uma reflexão sobre as politicas da igreja em relação ao preservativo e ao modo de como a igreja vê a sexualidade. Isso não vai acontecer pois outros assuntos terão prioridade na Igreja Estado e eventualmente poderão ser mais comedidos em falar publicamente sobre o preservativo, mas nada mudará. Os milhões de crentes católicos continuarão a seguir as suas vidas e a não respeitarem as linhas traçadas pela igreja mas isso é pouco importante para as chefias, à semelhança das politicas e políticos dos estados nações assumidos, em que as promessas sociais e para o bem do povo não são para cumprir, mas apenas algo para que o povo ponha a sua cruz no papel do voto carregando o madeiro da pobreza e de uma vida miserável em suas costas.
A cruz que Cristo carregou em suas costas, feita pelos homens e dita como libertadora é agora trazida de novo à ribalta e com uma produção industrial em série para que todos possam ter a sua. A humanidade dispensa mais cruzes (como a da SIDA) enviadas pela igreja, pois já chega a pobreza a fome e a miséria, num mundo que tem capacidade para que todos pudessem viver em abastança não fosse a ambição desmedida do bicho homem, que não ama o seu próximo nem protege os desfavorecidos pela sorte.
A igreja é necessária para ensinar o amor, a bondade, o fim das guerras e para criar um homem novo. Certamente o que menos precisamos é uma igreja a contribuir para o sofrimento humano com o custo de muitas vidas.
A igreja está a meter água e não tem consciência de que não sabe nadar .

PAPA A SIDA....


"Papa a SIDA Joana papa a SIDA, Joana papa a SIDA...."

Não fosse a peculiar ironia de que me acusam e que reconheço fazer parte do meu ser e o receio de poder magoar leitores crentes e faria um post altamente irónico referindo-me às declarações do chefe máximo da Igreja católica na sua viagem a África.
Chocam-me as palavras, do Papa


“Não se pode resolver (o problema da sida) com a distribuição de preservativos pelo contrário, a sua utilização agrava o problema “

A comunidade científica reconhece que o preservativo é um método eficaz no combate ao alastramento da pandemia que ceifou a vida a milhões de seres humanos. Certamente entre os milhões de fiéis da igreja católica haverá cientistas que reconhecem a eficácia do preservativo. Será que a chefia da igreja nega esta evidência?
Esta posição da chefia da igreja é questionada por padres e freiras que trabalham com vitimas da SIDA em África muito em especial em países como a África do Sul, Botswana, Suazilândia e Moçambique, os países mais afectados pela pandemia em todo o mundo.


Chocam-nos por vezes atitudes nos países muçulmanos no que se refere a castigos e mesmo condenações à morte por adultério, homossexualidade e outros comportamentos que para o modo de pensar ocidental são aberrações e crimes contra os direitos humanos sem nos lembrarmos dos horrores perpetrados pela igreja católica no passado com execuções na praça pública, pessoas queimadas na fogueira e empalamentos com tortura e o suplicio da sede, bem como a “santa inquisição”.
Hoje devido à igreja ter perdido esse poder face ao desenvolvimento da sociedade tal não é possível, mas face a estas declarações parece que o ”modus operandi” é o mesmo praticado apenas de um modo mais subtil e disfarçado. Afinal qual é o papel da igreja em relação aos seus seguidores? Será preciso reinventar a igreja e criar uma nova igreja baseada na mesma fé mas que se adapte à realidade do mundo moderno?


Pretende a igreja “Humanizar o Sexo”, segundo as declarações do Papa. O sexo é apenas destinado à procriação e fora disso o sexo é pecaminoso, creio ser o pensamento da igreja.
Questiono-me se com estas politicas não estará o Papa querendo ocupar o lugar de Deus, criador do universo e de todos os seres que nele existem. Se as politicas da igreja estivessem certas, o Criador certamente teria feito o homem sem desejo sexual e as fêmeas teriam o seu período de reprodução com o “CIO” à semelhança do que fez com outras espécies animais.


Fico triste por esta insistência papal em não aceitar o uso do preservativo como forma de poupar vidas e novas infecções pelo VIH. Tenho a certeza que no futuro um “Papa” virá pedir perdão ao mundo por estas políticas actuais, à semelhança do que fez em relação a crimes contra a humanidade cometidos no passado.
Quando será que”Jesus Cristo” voltará à terra e de Chicote na mão, à semelhança do que fez no Templo, expulsando os vendedores, porá fim a este estado de coisas?

PROGRAMA SIMPLEX NO HIV


“ Este programa não é o resultado de um esforço de todo o governo e não contou com o empenho muito especial do primeiro-ministro José Sócrates, nem do ministro de estado e da administração interna…”

Contudo e devido ao excelente poder de comunicação do nosso primeiro ministro que consegue convencer os portugueses da eficácia do seu governo, da revolução tecnológica e dos “Magalhães” distribuídos como docinhos por todo o mundo mostrando o nosso desenvolvimento, não é de descartar a possibilidade de ter influenciado os cientistas de todo o mundo que se dedicam ao estudo da SIDA, acerca das vantagens do seu “Simplex”.
É moda a simplificação das terapias retrovirais e a terapia um comprimido dia é já uma realidade, pese o facto que a infecção pelo VIH é muito complexa e este avanço não é aplicável a todos os infectados.
Um grupo de investigadores da Universidade da Califórnia, realizou um ensaio o qual tinha como objectivo encontrar uma alternativa fácil e barata para medir a concentração de fármacos no sangue e analisar esta relação com a descida de carga viral e assim comprovar a eficácia dos medicamentos tomados pelos doentes.
Os testes de carga viral são caros e requerem que o doente tenha de ir ao hospital tirar sangue para análise. Neste ensaio apenas tiram um cabelo ao doente e analisam a concentração de medicamentos no mesmo. Concluíram neste estudo que existe uma relação entre carga viral e a concentração de medicamentos no cabelo. Quanto maior a concentração de fármacos no cabelo menor é a carga viral. O método é barato e poderá contribuir para um melhor seguimento no tratamento de doentes nos países pobres ou em via de desenvolvimento, sendo de considerar a sua utilização em países desenvolvidos devido à redução de custos nos testes de carga viral. No futuro e com o desenvolvimento desta nova descoberta os dispendiosos testes de carga viral serão apenas utilizados naqueles doentes que mostrem uma baixa concentração de fármacos no cabelo.
Para além desta relação entre concentração de medicamentos no sangue, e carga viral, este novo método cuja sensibilidade de medição é encorajadora poderá ser muito útil para os médicos estabelecerem um ajuste na medicação e prescreverem doses mais baixas ou mais altas de medicamentos dependendo das necessidades de cada doente.
A comunidade seropositiva “careca” não será prejudicada em principio, pois hão-de encontrar sempre um pêlo seja lá onde for.
Não temos informação se este método “simplex” de teste foi inspirado no programa do nosso governo, mas o certo é que quer um quer outro depois de desenvolvidos e aperfeiçoados poderão dar frutos, embora pessoalmente eu ache que é mais difícil o programa português funcionar pois por essência somos um povo complicado e a nossa simplificação consiste em criar novas complicações.

HCV-CARGA VIRAL vs MORTE


Continuaremos a privilegiar a informação científica que nos vai chegando, traduzindo textos de news letters que nos enviam sobre resultados de novos estudos referentes ao HIV, HCV e outras co-infecções. Contudo achamos que as traduções de textos de cariz científico, por vezes são de pouco interesse para os nossos leitores que não pretendem aprofundar a matéria, mas que gostam de saber certos resultados.
Assim passaremos a elaborar resumos dos dados científicos obtidos em diversos estudos que publicaremos, não deixando de publicar os trabalhos com pormenor científico para aqueles que gostarem.
O texto que a seguir apresentamos mostra a influência que a carga viral (quantidade de vírus no sangue) tem (independentemente do genotipo do vírus) na progressão da Hepatite C em pessoas co-infectadas com o HIV, demonstrando que a mortalidade é semelhante em ambos os grupos. Mostra também que a mortalidade é menor nos portadores dos genótipos 2 e 3 do vírus.
Um abraço e ficamos gratos pela vossa visita.
Raul

Jürgen Rockstroh, do grupo de estudo EuroSida, apresentou os resultados de um estudo que tentava aclarar um factor, sobre o qual, a investigação ainda não tinha dados satisfatórios: como influencia a carga viral da hepatite C e o genotipo viral, sobre a progressão da infecção por HIV ou VHC. Os autores do estudo, investigaram a progressão por qualquer motivo ou pela doença hepática num grupo de 1.952 pessoas co-infectadas com o HIV e VHC, e compararam ao indivíduos com uma carga viral de hepatite C detectável (que se considerou baixa com um nível inferior de 500.00UI/ml e alta, com > 500.000 UI/ml) com aqueles sem carga viral (<615UI/ml de ARN de VHC) , e também os genotipos virais.

Das 1.952 pessoas co-infectadas, um total de 1.537 (78,7%) tinha uma carga viral detectável de VHC (>615 UI/ml. Destas, 821 (53,1%) apresentavam uma carga viral de VHC alta segundo a definição do estudo. Os resultados do ensaio demonstram que os indivíduos com uma carga viral baixa tiveram uma incidência similar de morte e de morte associada a problemas hepáticos, que aqueles com uma carga viral < a 615 UI/ml. De qualquer forma, os indivíduos com uma carga viral alta de VHC, demonstraram um aumento significativo da taxa de mortalidade associada a problemas hepáticos. Dos 1.537 participantes co-infectados pelo HIV e VHC, 800 tinham um genotipo 1 (52%), 53 genotipo 2 (3,4%), 466 genotipo 3 (30,3%) e 218 (14,2%) genotipo 4. Os resultados demonstraram, que depois de um ajuste em análise, os genotipos 2 e 3 tinham uma incidência mais baixa de mortalidade, que foi estatisticamente significativa no genotipo 3. Uma tendência similar foi observada para os óbitos asociados a problemas hepáticos, ainda que neste caso, a diferença não foi significativa de um ponto de vista estatístico.

Segundo os investigadores, os pacientes co-infectados com uma carga viral alta deste grupo, apresentavam um aumento da taxa de mortalidade associada a problemas hepáticos. De qualquer forma, os genotipos 2 e 3 relacionavam-se com um decréscimo da mortalidade por outras causas e mortalidade associada ao fígado.

Este resultado, difere de outros observados em indivíduos mono-infectadas pelo VHC, nas quais a carga viral deste vírus não é um factor preponderante de mortalidade.
Fonte: Grupo de Tratamentos VIH
Tradução: Pedro Serrano


PESSOAS IMUNES AO VIH/SIDA


Existem pessoas com aparente resistência à infecção pelo HIV as quais podem dar pistas importantes para a pesquisa de vacinas contra a SIDA aos cientistas que tentam desvendar os mistérios do HIV e descobrir métodos de protecção contra a infecção. A noção de que determinadas pessoas têm uma resistência natural ao virus é ao mesmo tempo, uma hipótese fascinante e um verdadeiro enigma. Mais de duas décadas de pesquisas nesta área confirmam que o fenómeno existe. Em mais de 30 coortes de alto risco foram identificados indivíduos denominados Sero Negatívos Expostos (SNE) que conseguiram escapar da infecção, mesmo após uma ou várias exposições ao HIV. As pesquisas com essas pessoas resultaram na publicação de mais de cem artigos científicos, começando com um importante estudo envolvendo uma coorte de profissionais do sexo em Nairobi, no Quénia. Esse estudo, conduzido pelo cientista francês Plummer, Imunologista da Universidade de Manitoba. mostrou que algumas profissionais do sexo dessa coorte pareciam resistentes à infecção pelo HIV e que, de facto, havia uma diminuição nas taxas de infecção entre estas mulheres a cada ano em que elas continuavam actuando como trabalhadoras sexuais. Outras coortes de SNE,s também foram identificadas, como homens que fazem sexo com homens (HSH), parceiros não infectados em casais sero-discordantes nos quais um é conhecidamente infectado pelo HIV, hemofílicos que receberam hemoderivados contaminados pelo vírus no início dos anos 80, antes da implementação da triagem ao sangue dos doadores, e usuários de drogas injectáveis. Mesmo após vários anos de pesquisa, continuamos sem saber como esses indivíduos continuam escapando do HIV. Depois do estudo de Plummer, grande parte dos cientistas descartou a hipótese de se tratar de mera coincidência e acredita que essas raras pessoas podem possuir algumas características genéticas ausentes na maioria da população. Desde então, a comunidade científica empenha-se em descobrir quais são essas características e porque apenas alguns seres humanos as possuem. Mas identificar e caracterizar os possíveis mecanismos de protecção desses indivíduos tornou-se um exaustivo e inconclusivo esforço que gerou resultados conflituosos e por vezes, controversos, levando alguns pesquisadores a adoptar uma postura profundamente céptica. A possível identificação de respostas imunológicas específicas ao HIV nestas pessoas poderia fornecer dados importantes para o desenvolvimento de vacinas contra a SIDA, mas mesmo os cientistas que permanecem estudando os SNE,s não têm a certeza de que importantes pistas imunológicas virão à tona por meio desses indivíduos. Contudo, quase todos concordam que vale a pena continuar o estudo dos SNEs.

A comunidade cientifica chegou à conclusão de que é possivel desenvolver uma vacina anti VIH, no entanto essa tarefa leva tempo e se considerarmos o tempo que vacinas demoraram a ser desenvolvidas para outras patologias não podemos desesperar face à necessidade urgente de uma vacina para o virus da SIDA, pois a investigação começou apenas em 1983.

A titulo de curiosidade a vacina para a Febre Tifóide demorou 105 anos a ser descoberta; para a Tosse Convulsa 42 anos; para a Poliomielite 47 anos; para a Varicela 42 anos etc.etc.

A vacina para a Malária já tem mais de 112 anos de investigação e ainda continua a ser investigada.

Um dia teremos a nossa vacina certamente e o HIV passará à história das grandes pandemias globais, que mataram milhões de seres humanos.
Fonte: Informação IAVI

OS NOVOS POBRES


Diariamente somos confrontados com situações limite de famílias que, até um passado recente, se consideravam da classe média e que cumpriam as suas obrigações tendo, de um momento para o outro, ficado no desespero do incumprimento e do medo.
As causas poderão ser quase na totalidade identificáveis em três ordens de razões: desemprego, doença e divórcio. Porém muitas destas situações vêm aliadas a uma forma pouco saudável de gerir os orçamentos sem deixar margens para imprevistos. Isto para não falarmos nos casos, absolutamente dantescos, de sobreendividamentos em que se pedem empréstimos para se pagarem outros. Os Bancos actuam com total impunidade através dum direct mail absolutamente indecoroso.
Isto tem permitido aos principais Bancos que, mesmo em pico de crise, lucrem em média 3,5 milhões de euros/dia. Segundo notícia do Portugal Diário embora a crise tenha afectado os quatro maiores Bancos privados portugueses – BCP, BES, BPI e Santander Totta - que viram os resultados de 2008 a cair, mesmo assim conseguiram ganhar 1.271,5 milhões neste mesmo ano.
Entre os novos pobres temos também os que foram apanhados pelas situações de doença incapacitante. A insuficiência dos apoios estatais aliada ao recurso cada vez mais necessário a tratamentos fora do SNS, têm arrastado famílias para situações verdadeiramente aflitivas que não podem nem devem ser resolvidas através dos voluntarismos sociais pese embora a importância fundamental dos mesmos no que respeita a acções complementares.
Os novos pobres, que não param de crescer entre os oriundos da dita classe média, são os que mais afligem pela sua dor crua e envergonhada que os impede de assumir a real situação tal como a vivem e se apresenta.
Numa sociedade em que “o ter” é um símbolo de poder e de status as perdas materiais podem significar viver sem objectivos, desintegrar-se das redes de sociabilidade onde se deixou de ter condições para interagir sem inferiorização. É uma espécie de morte antecipada mesmo quando estão ainda asseguradas as condições mínimas de sobrevivência.
É como se tudo o que se faz deixe de fazer sentido e pese como uma culpa de que se envergonham. A auto-estima afectada por uma doença que restrinja a liberdade e as condições de vida dá aos dias aquele peso dos passos em que nada motiva e tudo aborrece.
A sociedade segue indiferente sempre (e só) preparada para quem não tem limitações e tem os necessários recursos para os apelos dos seus valores materialistas bem mediatizados. Nesta cultura pobre, os pobres não são apenas os que têm rendimentos abaixo dum certo limiar mas todos aqueles que interiorizaram a pobreza por não conseguirem desenvolver outros valores independentes do valor do dinheiro.
É este exército de novos pobres o que mais preocupa e até assusta. A crise veio para ficar e as restrições vão alargando a sua área de influência numa sociedade que não distingue o essencial do supérfluo e que definha em frustrações por falta de objectivos.
Uma sociedade que não dá sinais de poder regenerar-se porque continua assente nos mesmos pilares de selvático consumo e enriquecimentos ilegítimos tentando os governos, com medidas ingénuas, travar a avalanche dum rio cujo caudal não pára de crescer.

INTOLERÂNCIA AO EXERCÍCIO FISICO



A INTOLERÂNCIA AO EXERCÍCIO FISÍCO PODE DEVER-SE AO EFEITO DE UM TRATAMENTO ANTIRRETROVIRAL SOBRE AS FUNÇÕES CARDÍACAS

Uma quebra na rotina do exercício físico observada nas pessoas que tomam antirretrovirais, pode constituir uma manifestação prematura de uma disfunção cardíaca oculta, segundo um artigo/carta publicada na edição de Novembro da revista AIDS.
Os autores desta informação recomendam um exame cardíaco regular nos pacientes em terapia para detectar possíveis anomalias subclínicas e ajudar os médicos nas decisões clínicas, mantendo as pessoas com uma boa saúde cardíaca.

Os especialistas apontaram diversos motivos para a não adesão a exercícios aeróbicos em indivíduos infectados pelo HIV que fazem uma terapia antirretroviral (TARV), entre eles, o tabagismo, a anemia e a falta de uma boa forma física por viverem com uma doença crónica. Alguns fàrmacos anti-HIV, principalmente os inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleósido (ITRN), também estão implicados devido à acção oxidativa nos tecidos do organismo, incluíndo os músculos.

No princípio de 2008, uma equipa de investigadores franceses lançou uma outra hipótese e possível explicação para este fenómeno, quando registou uma menor tolerância ao exercício físico com ciclos de disfunção no ventrículo esquerdo num grupo de indivíduos com HIV. Neste estudo, os autores demonstraram ainda a conexão entre ambos os fenómenos. O estudo envolveu 16 homens com HIV (de étnia branca, com um índice de massa corporal [IMC] de menos de 30kg/m2 e com uma idade entre os 30 e os 50 anos) que tinham recebido terapia antirretroviral durante pelo menos 2 anos e que tinham controlado bem a doença (através da contagem de CD4 de 503 células/mm3 e uma carga viral indetectável em 2/3 dos participantes. Os autores deste estudo fizeram uma comparação com um grupo de 21 homens não infectados, agrupados por idade, tamanho, hábitos tabagísticos e nível de actividade.

A equipe realizou um electrocardiograma (ECG) em repouso aos participantes no estudo. Os pacientes com HIV revelaram sinais de disfunção cardíaca com maior frequência, especialmente problemas no ventrículo esquerdo durante a diástole (quando o ventrículo se enche depois de uma contracção). Foram observadas anomalias no refluxo sanguíneo em 56% das pessoas infectadas pelo HIV, contra 14% no grupo de control (p menos que 0,01).

Quando os participantes realizaram uma prova de esforço, nenhum indivíduo do sexo masculino (com ou sem HIV) apresentou sinais clínicos de isquémia miocárdia ou falta de fluxo sanguíneo no músculo cardíaco. No entanto, os homens com HIV demonstraram um menor rendimento em diversos indicadores da função cardíaca, mesmo quando ambos os grupos tinham níveis similares de consumo de tabaco e de actividade física, bem como os valores de hemoglobina média eram equivalentes.
O rendimento cardíaco (quantidade de sangue bombeado por minuto) máximo foi de 14% (p igual ou menor a 0,05) no grupo de indivíduos infectados no grupo de control. Assim mesmo, o ritmo cardíaco máximo foi 6% inferior no grupo de pessoas infectadas (p menos de 0,05), mas todos os pacientes apresentaram pelo menos 90% do valor normal para a sua idade. Os autores pensam, que isto vá contra a hipótese de que uma intolerância ao exercício físico se deve a um desvio do sistema nervoso central, encarregado de controlar o ritmo cardíaco.

Pelo contrario, os autores sugerem que a causa mais provável à intolerância ao exercício é a disfunção cardíaca oculta observada durante o ECG em repouso. No grupo de pessoas não infectadas, o volume sistólico (quantidade de sangue bombeado pelo coração num único ciclo de contracção) aumentou até chegar ao exercício de intensidade moderada, alcançando assim, uma meta. Nos homens infectados pelo HIV o volume sistólico aumentou e, posteriormente, diminuíu de forma gradual à medida que os participantes passaram do exercício moderado ao estado limite, o que indica um decréscimo do rendimento. Os especialistas assinalam a importância de este padrão ter sido observado de modo específico em homens que previamente tinham apresentado sinais de disfunção ventrícular esquerda em repouso.

Os autores também indicam que, em comparação com o grupo de control sem HIV, os níveis de oxigenação nos tecidos musculares , foram de uma forma significativa menores só em indivíduos infectados que apresentavam a disfunção cardíaca em repouso. Argumenta-se que esta falta de oxigenação é devida à disfunção cardíaca central e não à alteração do metabolismo do oxigénio no tecido, já que não houve diferenças entre as pessoas com ou sem HIV, em relação ao consumo de oxigénio consumido pelos tecidos durante o exercício. Num estudo anterior, sugeria-se que a intolerância ao exercício em pessoas com terapêutica antirretroviral, se devia a uma disfunção no tecido muscular periférico.

Reconhece-se que é necessário realizar estudos mais aprofundados para uma melhor compreenção das causas da disfunção cardíaca, a equipe de investigadores insiste num acompanhamento mais próximo dos indivíduos com terapêutica antirretroviral. " Deveria ter-se em consideração o risco cardiovascular e o exame cardíaco regular (incluindo ecocardiogramas e provas de esforço) dos pacientes com HIV com terapêutica, para conseguir uma detecção precoce, uma melhor prevenção e acompanhamento".
Tradução e composição: P.Serrano

Explicando a SIDA aos mais pequenos



O filho de um amigo meu com 6 anos perguntou-me o que era isso da SIDA. Fiquei pensativa... Como explicar por palavras simples a uma criança pequena algo tão complexo como a infecção VIH/SIDA. De repente recordei-me de uns desenhos animados da minha infância chamados “Era uma vez a vida” ... e respondi-lhe:
Dentro do nosso corpo existem policias (CD4) que são responsáveis pela defesa do nosso organismo. De vez enquando entram no nosso corpo uns bandidos (que podem ser vírus, bactérias, parasitas ou fungos) e andam à luta com os polícias. Um desses bandidos é um vírus chamado VIH, ele pode entrar dentro do nosso corpo de várias maneiras, e após a sua entrada começa a fazer estragos e a destruir tudo por onde passa.
Quando o nosso organismo fica muito debilitado dizemos que entrou em fase de SIDA ou seja os bandidos estão a conseguir vencer a polícia.
Os nossos polícias são muito fortes e tentam de todas as maneiras matar o bandido VIH só que ele é muito esperto e consegue escapar, esconder-se e reproduzir-se. Enquanto a nossa polícia anda preocupada atrás do VIH outros bandidos aproveitam-se disso e começam também eles a fazer estragos na nossa saúde são as chamadas doenças oportunistas... Com tantos ataques o organismo adoece gravemente e a pessoa pode morrer.
-E não há comprimidos para matar o VIH?
- Os comprimidos não conseguem matar todos os bandidos mas conseguem mantê-los mais ou menos controlados e permitem que os nossos polícias recuperem as forças para continuar a batalha.
-E como é que o VIH entra no nosso corpo?
O VIH é um bandido muito particular, ele só entra dentro do organismo quando entramos em contacto com sangue infectado, através de relações sexuais sem protecção e de uma mãe infectada para o bebé. Não existe mais nenhuma forma de contágio por isso podes conviver no dia-a-dia com outras pessoas infectadas, brincar com elas, dar-lhes beijinhos, almoçar com elas, nadar na piscina... não há problema.
No teu dia-a-dia apenas tens de ter o cuidado de não tocar em sangue de outras pessoas. Se vires por exemplo um colega da escola a sangrar deves chamar de imediato um adulto e não tocar no sangue sem luvas.
-E existem meninos e meninas com o VIH?
-Existem sim. Como te disse o VIH pode passar da mãe para o bebé durante a gravidez, no parto ou quando a mãe dá de mamar ao bebé. Mas hoje em dia os médicos já sabem como fazer para o evitar.
Colaboração de Isabel Pinto

RESPOSTA IMUNITÁRIA NATURAL


A resposta imunitária natural revelou-se incapaz na prevenção de uma reinfecção do HIV. As conclusões de um estudo americano revelaram implicações no desenvolvimento de uma vacina contra este vírus. Um grupo de investigadores americanos determinou que a resposta inicial de anti-corpos que o sistema imunitário produz depois da infecção inicial, poderia não ser suficiente capaz para proporcionar uma protecção perante uma infecção posterior a um vírus do HIV diferente. Os dados que se publicaram na edição de Dezembro do " Journal of Virology", poderiam ter implicações significativas no desenvolvimento de uma vacina contra o HIV. A reinfecção, é uma situação em que um indivíduo já infectado, adquire uma segunda estirpe do vírus. Estudos recentes sugerem que 5% das pessoas infectadas podem reinfectar-se. De qualquer forma, continua pouco claro se a reinfecçao se dá em indivíduos com respostas imunitárias especialmente débeis ou se as respostas imunitárias desenvolvidas durante a infecçao natural do vírus, são de forma geral, inadequadas numa prevenção de uma infecção posterior. A investigação no campo da imunologia, levantou a questão de que a resposta imunitária humoral produz vários tipos de anticorpos específicos contra o HIV, mas só um pequeno número deles são capazes de unir-se realmente ao vírus e neutralizá-lo. Estes anticorpos, de certa forma selectivos, que podem evitar com êxito que o vírus infecte células, são denominados como anticorpos neutralizantes. Os anticorpos que podem neutralizar de forma eficaz várias estirpes diferentes do HIV, denominam-se anticorpos amplamente neutralizantes. De qualquer forma, estes são muito raros e até agora só foram identificados num número muito reduzido. Um grupo de investigadores do Centro de Investigação do Cancro e da Universidade de Washington em Seattle (EUA), comparou os níveis de anticorpos neutralizantes específicos do HIV em 6 mulheres reinfectadas num período de 1 a 5 anos depois da infecção inicial, com 18 dos controles com factores de risco similares mas sem reinfecção. Mesmo nas mulheres reinfectadas, que tiveram menos anticorpos neutralizantes específicos ao HIV que o control, aproximadamente 1 ano depois da infecção, não se observaram diferenças significativas na amplitude ou potencialização destas respostas pouco antes da segunda infecção. De facto, 4 das 6 pacientes tinham respostas de anticorpos neutralizantes específicos ao HIV, relativamente amplas e potentes. Além disso, análises posteriores das variantes virais que provocaram a reinfecção, demonstraram que não havia uma resistência inerente à neutralização de anticorpos. O facto das 6 pacientes terem anticorpos específicos neutralizantes do HIV que poderiam ter neutralizado as estirpes virais antes da reinfecção, levou os investigadores a pensar que o nível destes anticorpos provocados durante a infecção natural pelo HIV, poderia não ser suficiente para o bloqueio de uma infecção posterior pelo HIV. " Uma vacina eficaz contra o HIV, necessitará portanto, de provocar respostas de anticorpos neutralizantes específicos do HIV mais fortes do que aquelas que se produzem durante a infecção natural. " De facto, este é o caso de algumas vacinas virais, como por ex. a vacina contra a hepatite B ou o vírus do papiloma humano, que provoque níveis equivalentes ou superiores de anticorpos neutralizantes específicos contra o vírus que os que são produzidos durante a infecção natural"
Fonte: Grupo de Tratamentos VIH
Tradução e Composição: Pedro Serrano