MAPUTO, Meu nome é Amélia Matsinhe e tenho 30 anos. Tenho dois filhos, um menino de 13 e uma menina de sete. Meu marido morreu em 2005. Ele nunca fez o teste mas eu sei que ele tinha SIDA. Só podia ser SIDA, porque ele ficou doente por muito tempo. Eu fiz o teste em 2006. Eu estava doente, muito magra, mas tinha medo de fazer o teste, porque sabia que ia vir positivo. Eu pensava que a SIDA era uma doenca de prostitutas e eu não era prostituta. Ele foi meu único parceiro. Mas uma amiga que tambem é seropositiva viu os sinais e insistiu para eu fazer o teste. Tive que comecar a tomar os antiretrovirais logo depois que descobri que era seropositiva. Na primeira semana tive que ficar na casa dessa amiga. Ela cuidou de mim porque eu estava muito fraca, os comprimidos eram muito fortes e eu não tenho família em Maputo. Com o tratamento, meu corpo começou a reagir. Hoje eu tomo dois comprimidos, um às 7 horas e outro às 19 horas. As crianças sabem que eu sou seropositiva e me lembram de tomar o medicamento. Minha saúde é boa, mas eu sofro muita discriminação onde moro. As mulheres do meu bairro dizem que eu vou morrer logo. Elas não falam na minha frente, mas eu consigo escutar da minha casa. Há dois meses, fecharam a entrada da minha casa com um muro porque eu sou seropositiva e não tenho ninguém para me defender. Agora eu tenho que entrar pela casa do vizinho, por uma passagem provisória. Eu já reclamei, mas as pessoas dizem: “Ela vai morrer logo, para que precisa de passagem?” Um dia o responsável pela vizinhança passou na minha casa porque tinha ouvido que eu tinha SIDA. Ele perguntou se eu me cuidava, se eu trazia homens aqui, se eu usava preservativo. Ele tem medo que eu esteja passando o virus por aí. Eu sei como é difícil a vida de um seropositivo, eu nunca faria isso. Lógico que eu me cuido. Se hoje eu estou saudável é porque me cuido, mas eu não tenho namorado, nem quero ter. Tenho medo, não consigo mais confiar. Quando fiquei sabendo que era seropositiva, chorei por uma semana, não comia. Mas depois eu aceitei porque eu sofri, vi meu marido morrer, mas quero viver para ver meus filhos crescerem. A vida não é fácil. Eu não tenho trabalho e tem dias que não tenho dinheiro para comer. Mas agora eu ajudo outras pessoas, falo para fazerem o teste quando eu vejo os sinais. Hoje eu não tenho mais medo da SIDA.
Análises Clínicas [ Parte Dois ]

Continuamos a explicar o Hemograma, com o intuito de dar ao leitor alguma formação básica do significado dos resultados das análises clínicas e de outros meios de diagnóstico comuns. De seguida pensamos explicar os electrocardiogramas e o significado dos gráficos que apresentam.
Acreditamos que os doentes, são parte activa na cura e tratamento de qualquer doença.
Um doente informado, recebe por parte do médico mais atenção e pode contribuir para minimizar erros que muitas vezes acontecem, por falta de informação/conhecimento do médico, que desconhece toda a história clínica do paciente.
Espero que gostem deste tipo de textos que a equipe “Sidadania” está preparando para todos.
R. Rudoisxis
Acreditamos que os doentes, são parte activa na cura e tratamento de qualquer doença.
Um doente informado, recebe por parte do médico mais atenção e pode contribuir para minimizar erros que muitas vezes acontecem, por falta de informação/conhecimento do médico, que desconhece toda a história clínica do paciente.
Espero que gostem deste tipo de textos que a equipe “Sidadania” está preparando para todos.
R. Rudoisxis
Série Vermelha - Os Eritrócitos
No relatório do hemograma consta o eritrograma que como o nome indica refere-se ao estudo dos eritrócitos ou glóbulos vermelhos. Contêm um elevado teor de hemoglobina que confere a cor vermelha ao sangue e as suas alterações tanto na quantidade de hemoglobina presente como na forma e no tamanho embora não sejam característica desta ou daquela doença são de grande importância quando associadas a sintomas de algumas patologias. Os valores normais diferem nos homens e nas mulheres. No estudo do eritrócito são então considerados os seguintes aspectos:
Eritrócitos – são os mais numerosos elementos do sangue já que representam o próprio sangue e têm uma duração média de vida de 120 dias pelo que a medula óssea tem de estar sempre a produzi-los. Assim as variações na sua produção para valores abaixo ou acima dos valores normais serão indício da reactividade da medula e do baço que também tem um papel na sua produção. Os valores normais dos eritrócitos situam-se nos 4.0 – 5.0% e abaixo destes valores podem indicar anemias hemolíticas (resultantes de destruição dos eritrócitos), enquanto que valores mais elevados a partir de 6.0% têm geralmente a designação de Poliglobulia (excesso de “sangue”) podendo ter várias causas.
Hemoglobina – Os eritrócitos normais encontram-se saturados de hemoglobina. A quantidade é maior no homem (14.0 a 17.0) do que na mulher (12.0 a 16.0). Acima destes valores podem acompanhar a poliglobulia dos eritrócitos enquanto que os valores abaixo indicam os estados de anemia. Na observação ao microscópio são confirmadas as características na cor do eritrócito sendo que nos estados de anemia por falta de ferro a produção de hemoglobina é mais baixa e os eritrócitos apresentam-se com falta de cor parcial (anisocromia) e/ou total (hipocromia), termos que aparecerão no relatório clínico se for o caso.
Hematócrito – Representa a massa total que as células do sangue ocupam numa unidade de volume. Depende praticamente do volume ocupado pelos glóbulos vermelhos e é por isso de importância fundamental. Os valores oscilam entre 36 e 50% com a média de 42% na mulher e 47% no homem. O valor baixa em todas as anemias.
Volume globular médio (VCM) – 88 – 94 – refere-se ao tamanho dos glóbulos vermelhos e é útil no estudo das anemias e noutras patologias. Quando o diâmetro é inferior ao normal o VCM apresenta-se baixo e diz-se que existe microcitose, característica de anemias por falta de ferro. Quando o VCM é elevado, os glóbulos vermelhos são de tamanho aumentado e existe macrocitose, característica de anemias por carência de Vitamina B12 ou ácido fólico. De notar que também existe macrocitose em patologias do fígado e nas hepatites e aqui são de importância o valor das plaquetas e das transaminases (GOT e GPT) determinadas nas analises de bioquímica.
Hemoglobina Globular média (HCM) – 27.0 – 32.0
Concentração de hemoglobina globular média (CHCM) - 32.0 – 36.0
No relatório do hemograma consta o eritrograma que como o nome indica refere-se ao estudo dos eritrócitos ou glóbulos vermelhos. Contêm um elevado teor de hemoglobina que confere a cor vermelha ao sangue e as suas alterações tanto na quantidade de hemoglobina presente como na forma e no tamanho embora não sejam característica desta ou daquela doença são de grande importância quando associadas a sintomas de algumas patologias. Os valores normais diferem nos homens e nas mulheres. No estudo do eritrócito são então considerados os seguintes aspectos:
Eritrócitos – são os mais numerosos elementos do sangue já que representam o próprio sangue e têm uma duração média de vida de 120 dias pelo que a medula óssea tem de estar sempre a produzi-los. Assim as variações na sua produção para valores abaixo ou acima dos valores normais serão indício da reactividade da medula e do baço que também tem um papel na sua produção. Os valores normais dos eritrócitos situam-se nos 4.0 – 5.0% e abaixo destes valores podem indicar anemias hemolíticas (resultantes de destruição dos eritrócitos), enquanto que valores mais elevados a partir de 6.0% têm geralmente a designação de Poliglobulia (excesso de “sangue”) podendo ter várias causas.
Hemoglobina – Os eritrócitos normais encontram-se saturados de hemoglobina. A quantidade é maior no homem (14.0 a 17.0) do que na mulher (12.0 a 16.0). Acima destes valores podem acompanhar a poliglobulia dos eritrócitos enquanto que os valores abaixo indicam os estados de anemia. Na observação ao microscópio são confirmadas as características na cor do eritrócito sendo que nos estados de anemia por falta de ferro a produção de hemoglobina é mais baixa e os eritrócitos apresentam-se com falta de cor parcial (anisocromia) e/ou total (hipocromia), termos que aparecerão no relatório clínico se for o caso.
Hematócrito – Representa a massa total que as células do sangue ocupam numa unidade de volume. Depende praticamente do volume ocupado pelos glóbulos vermelhos e é por isso de importância fundamental. Os valores oscilam entre 36 e 50% com a média de 42% na mulher e 47% no homem. O valor baixa em todas as anemias.
Volume globular médio (VCM) – 88 – 94 – refere-se ao tamanho dos glóbulos vermelhos e é útil no estudo das anemias e noutras patologias. Quando o diâmetro é inferior ao normal o VCM apresenta-se baixo e diz-se que existe microcitose, característica de anemias por falta de ferro. Quando o VCM é elevado, os glóbulos vermelhos são de tamanho aumentado e existe macrocitose, característica de anemias por carência de Vitamina B12 ou ácido fólico. De notar que também existe macrocitose em patologias do fígado e nas hepatites e aqui são de importância o valor das plaquetas e das transaminases (GOT e GPT) determinadas nas analises de bioquímica.
Hemoglobina Globular média (HCM) – 27.0 – 32.0
Concentração de hemoglobina globular média (CHCM) - 32.0 – 36.0
Estes dois últimos são índices igualmente importantes no diagnóstico das anemias, não serão aqui referidos pois a sua compreensão depende de outras análises e representam uma quantidade imensa de informação.
Finalmente no relatório do hemograma consta ainda a contagem de uns elementos do sangue que dão pelo nome de plaquetas. As plaquetas são as responsáveis pela coagulação espontânea do sangue graças à propriedade de se aglutinarem e aderirem às rupturas nas veias formando um tampão sobre a ferida. Quando em circulação livre, não aderem umas às outras a não ser que haja o rompimento de um vaso. Os valores normais oscilam entre 200.000 a 500.000 e sendo importantes na coagulação torna-se óbvio que um número abaixo do normal favorece a propensão a hemorragias mais demoradas ou de nódoas negras ao mínimo traumatismo. Por outro lado o número elevado de plaquetas aliado a determinadas características do individuo como sejam colesterol e triglicerideos elevados são propícios à formação de outras hemorragias e em casos mais graves, de AVC ou trombose.
Finalmente no relatório do hemograma consta ainda a contagem de uns elementos do sangue que dão pelo nome de plaquetas. As plaquetas são as responsáveis pela coagulação espontânea do sangue graças à propriedade de se aglutinarem e aderirem às rupturas nas veias formando um tampão sobre a ferida. Quando em circulação livre, não aderem umas às outras a não ser que haja o rompimento de um vaso. Os valores normais oscilam entre 200.000 a 500.000 e sendo importantes na coagulação torna-se óbvio que um número abaixo do normal favorece a propensão a hemorragias mais demoradas ou de nódoas negras ao mínimo traumatismo. Por outro lado o número elevado de plaquetas aliado a determinadas características do individuo como sejam colesterol e triglicerideos elevados são propícios à formação de outras hemorragias e em casos mais graves, de AVC ou trombose.
(Texto elaborado por: "Equipe Sidadania" GTC)
Nota: Se tiver dúvidas na interpretação de suas análises clinicas, coloque-as em comentários.
Profissionais que fazem parte da "Equipe Sidadania", responderão às suas dúvidas.
Entendendo as Análises Clínicas
O hemograma faz parte do grupo de análises de rotina e é dos testes ao sangue que mais orientam para a existência de um grande número de patologias, desde uma infecção às doenças mais graves até aos casos extremos de leucemias.
Basicamente são o estudo dos componentes do sangue total, que são os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas. Cada um deles desempenha diferentes funções no organismo e as suas alterações são mencionadas no hemograma, sendo de seguida interpretadas pelo médico. O próprio utente pode perceber o significado das principais alterações sobretudo se já se encontra a par do seu estado de saúde e do funcionamento de alguns órgãos ou até da existência de um foco de infecção.
Na colheita do sangue para hemograma este é colocado num tubo que tem anticoagulante para que o estudo possa ser realizado em condições. O sangue é colocado num aparelho que realiza a contagem automática das variedades de glóbulos brancos (leucócitos) e o resultado apresenta-se sob a forma de uma fórmula leucocitária constituída pela seguinte série e seus valores normais:
- Neutrófilos: 45 a 75%
- Eosinófilos: 2 a 4%
- Basófilos: 0 a 1%
- Linfócitos: 20 a 30%
- Monócitos: 4 a 8%
Na presença de patologias estes valores alteram-se significativamente o que permite orientar no diagnóstico ou no acompanhamento de um processo de cura de uma doença. Estes são os componentes da chamada série branca uma vez que se tratam de glóbulos brancos também denominados de leucócitos. O valor total dos leucócitos é o primeiro a aparecer no relatório do hemograma e o seu valor normal oscila entre 5.000 a 9.000 por milímetro cúbico. Desempenham essencialmente um mecanismo de defesa contra agressões por infecção ou de outra natureza. As funções estão assim distribuídas pelas células acima mencionadas e compreender a sua função será o passo para a interpretação das suas alterações. Resumindo,
Neutrófilos – são essenciais na luta contra infecções microbianas. Quando estão muito aumentados as suas formas são estudadas ao microscópio pois em infecções agudas a medula desata a produzi-los intensamente e passam a circular no sangue ainda sob formas imaturas e nesta observação se conclui que o organismo se encontra a combater uma grande infecção. Existem outras patologias mais complexas que provocam o seu aumento e diagnosticam-se pelo estudo de aspectos particulares do neutrófilo ao microscópio.
Eosinófilos – aparecem aumentados nas infestações por parasitas, nas doenças alérgicas e em casos mais complexos como alguns tipos de leucemia e no sindroma de infiltração pulmonar, no cancro dos brônquios e vários tipos de tumores. Ou simplesmente existe eosinofilia familiar, encontrando-se sempre aumentados sem que haja um estado de doença.
Basófilos – Pouco concorrem para a interpretação do hemograma. São praticamente inexistentes na rotina e o seu aparecimento em número elevado indica patologias graves sujeitas a outro tipo de estudo.
Linfócitos – nos estados de convalescença em que os neutrófilos diminuem após o combate de uma infecção, os linfócitos apresentam-se aumentados. Aumentam também em infecções crónicas como a tuberculose, sífilis, brucelose, mononucleose infecciosa (Epstein-barr ou doença do beijinho), leucemias linfociticas e linfomas (formas de cancro). Em caso de valores abaixo do normal só tem valor quando são mesmo em percentagem muito baixa que em geral representa mau prognóstico: estados de imunodeficiência, infecção por HIV, cirrose hepática e outros processos infecciosos graves.
Monócitos - são células fagocitárias, o que significa que digerem restos de outras células ou corpos estranhos mantendo o organismo livre dos mesmos. Assim aumentam na presença de infecções bacterianas como a tuberculose e na fase de melhoria de infecções agudas. Se a infecção se encontrar em estado agudo, os monócitos tendem a ser inferiores ao normal.
As alterações na série vermelha do hemograma são as respeitantes aos glóbulos vermelhos, ao conteúdo em hemoglobina, tamanho e forma dos mesmos. Abordaremos essa parte num próximo texto a publicar.
Basicamente são o estudo dos componentes do sangue total, que são os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas. Cada um deles desempenha diferentes funções no organismo e as suas alterações são mencionadas no hemograma, sendo de seguida interpretadas pelo médico. O próprio utente pode perceber o significado das principais alterações sobretudo se já se encontra a par do seu estado de saúde e do funcionamento de alguns órgãos ou até da existência de um foco de infecção.
Na colheita do sangue para hemograma este é colocado num tubo que tem anticoagulante para que o estudo possa ser realizado em condições. O sangue é colocado num aparelho que realiza a contagem automática das variedades de glóbulos brancos (leucócitos) e o resultado apresenta-se sob a forma de uma fórmula leucocitária constituída pela seguinte série e seus valores normais:
- Neutrófilos: 45 a 75%
- Eosinófilos: 2 a 4%
- Basófilos: 0 a 1%
- Linfócitos: 20 a 30%
- Monócitos: 4 a 8%
Na presença de patologias estes valores alteram-se significativamente o que permite orientar no diagnóstico ou no acompanhamento de um processo de cura de uma doença. Estes são os componentes da chamada série branca uma vez que se tratam de glóbulos brancos também denominados de leucócitos. O valor total dos leucócitos é o primeiro a aparecer no relatório do hemograma e o seu valor normal oscila entre 5.000 a 9.000 por milímetro cúbico. Desempenham essencialmente um mecanismo de defesa contra agressões por infecção ou de outra natureza. As funções estão assim distribuídas pelas células acima mencionadas e compreender a sua função será o passo para a interpretação das suas alterações. Resumindo,
Neutrófilos – são essenciais na luta contra infecções microbianas. Quando estão muito aumentados as suas formas são estudadas ao microscópio pois em infecções agudas a medula desata a produzi-los intensamente e passam a circular no sangue ainda sob formas imaturas e nesta observação se conclui que o organismo se encontra a combater uma grande infecção. Existem outras patologias mais complexas que provocam o seu aumento e diagnosticam-se pelo estudo de aspectos particulares do neutrófilo ao microscópio.
Eosinófilos – aparecem aumentados nas infestações por parasitas, nas doenças alérgicas e em casos mais complexos como alguns tipos de leucemia e no sindroma de infiltração pulmonar, no cancro dos brônquios e vários tipos de tumores. Ou simplesmente existe eosinofilia familiar, encontrando-se sempre aumentados sem que haja um estado de doença.
Basófilos – Pouco concorrem para a interpretação do hemograma. São praticamente inexistentes na rotina e o seu aparecimento em número elevado indica patologias graves sujeitas a outro tipo de estudo.
Linfócitos – nos estados de convalescença em que os neutrófilos diminuem após o combate de uma infecção, os linfócitos apresentam-se aumentados. Aumentam também em infecções crónicas como a tuberculose, sífilis, brucelose, mononucleose infecciosa (Epstein-barr ou doença do beijinho), leucemias linfociticas e linfomas (formas de cancro). Em caso de valores abaixo do normal só tem valor quando são mesmo em percentagem muito baixa que em geral representa mau prognóstico: estados de imunodeficiência, infecção por HIV, cirrose hepática e outros processos infecciosos graves.
Monócitos - são células fagocitárias, o que significa que digerem restos de outras células ou corpos estranhos mantendo o organismo livre dos mesmos. Assim aumentam na presença de infecções bacterianas como a tuberculose e na fase de melhoria de infecções agudas. Se a infecção se encontrar em estado agudo, os monócitos tendem a ser inferiores ao normal.
As alterações na série vermelha do hemograma são as respeitantes aos glóbulos vermelhos, ao conteúdo em hemoglobina, tamanho e forma dos mesmos. Abordaremos essa parte num próximo texto a publicar.
(Texto elaborado por: "Sidadania - Grupo Técnico-Cientifico")
VIH e Novas Luzes de Esperança
Depois de vir a lume a cura dum indivíduo submetido a um transplante de medula, aparece de seguida a noticia de que um grupo de investigadores das universidades de Cardiff (País de Gales) e da Pensilvânia (EUA) estão a desenvolver um aglomerado de células artificiais destinadas a combater o vírus da SIDA. A revista Nature Medicine dá-nos conta de que as células desenvolvidas em laboratório são o que se pode considerar uma réplica às Células T-assassinas, que já existem no corpo humano, mas com alterações laboratoriais específicas para identificarem e actuarem sobre o vírus da Sida mesmo depois deste ter sofrido várias mutações.
Esta inovação, no combate à doença, consiste no facto de que, com esta nova técnica, parece estar vencida a principal dificuldade ao combate do vírus do HIV que residia no facto deste vírus conseguir ludibriar todas as defesas do nosso sistema imunológico e impedir a acção das células assassinas.
Nesta perspectiva, e com a criação deste novo tipo de células criadas com receptores de células T, vai ser possível retardar, enfraquecer e evitar a mutação do vírus HIV, tornando-se assim mais fácil o seu combate e eliminação.
O maior senão apresentado pelos cientistas, no que respeita ao desenvolvimento da investigação, tem sido o facto de os «receptores de células T-assassinas» variarem consoante as diferentes populações raciais.
Apesar de ser uma leiga na matéria surpreende-me que, no espaço de 48 horas, surjam duas notícias paralelas e de oportunidades diferentes sobre a possível cura da doença maldita.
Não tenho dados, nem saberes científicos para analisar e contestar o valor de cada uma das descobertas nem a bondade da sua aplicação.
Porém, que algo está a mexer, parecem não restar dúvidas.
Para além de acompanhar os desenvolvimentos torço, de alma e coração, para que uma resposta clara seja encontrada, no muito curto prazo, e constitua resposta aos 33 milhões dela necessitados.
Porque a vida é só uma. Porque todos estão aqui para a VIHVER.
Porque a vida é só uma. Porque todos estão aqui para a VIHVER.
O Grito...
Parece-me por vezes que a vida está numa encruzilhada sem saída e com diversos caminhos, que tornam a decisão de escolha sobre qual seguir uma missão ciclópica.
Não há caminhos fáceis e todos eles estão ensombrados com a perspectiva de uma estrada sem saída. É um círculo de fogo à minha volta, em que parece não haver outra saída, a não ser aquela que o escorpião toma numa situação como esta.
A noção de pecado ou de culpa que se quer expiada afinal onde está? Qual o preço a pagar por um crime cometido, se ao amor ou a um caldo de droga injectável se pode chamar de crime. E aqueles em que a condenação vem de actos praticados pelos seus progenitores.
Aceitar a infecção pelo HIV é fácil depois de se compreender que isso não nos vai matar de imediato e que podemos ter uma vida com alguma qualidade. Viver durante anos e anos a infecção e ver o nosso corpo a degradar-se cada vez mais devido aos medicamentos tomados para controlar a infecção é que se torna insuportável.
No passado, mesmo quando a visita às urgências era obrigatória duas vezes por semana com dores horríveis devido a problemas renais isso era encarado com optimismo. Medicação mudada problema resolvido. A Vida segue em frente alegremente pois volta tudo ao normal.
Depois vêm os problemas com o fígado devido ao novo medicamento. Uma Ascite, um internamento hospitalar por cerca de 15 dias e um lóbulo do fígado com cirrose. Tiram-se uns litros de um líquido esverdeado da região abdominal e nova mudança de medicamento.
Parecia tudo correr na perfeição, depois de se escolher um medicamento menos tóxico o que durou perto de 4 anos. Um telefonema do hospital, num horário já tardio de uma noite, pedia para interromper de imediato a toma desse medicamento pois havia sido detectada uma anomalia no seu fabrico e o medicamento poderia estar contaminado com uma substância altamente cancerígena e potencialmente mortal.
Nova mudança de medicamentos e desta vez para mal dos meus pecados ao fim de pouco mais de um ano de os estar a tomar começam a aparecer estes problemas cardíacos.
Não é dos medicamentos que estou a tomar embora pudessem acelerar o processo, dizem os médicos. Afinal e depois de muito pensar sou levado a concluir que não morrerei da doença mas da cura ou dos medicamentos tomados para uma cura que o não é, e que servem apenas para atrasar o desenvolvimento da doença.
Posso até compreender o HIV, e os efeitos benéficos que o mesmo operou em mim para ter tempo para compreender e ajudar o meu semelhante. Posso encorajar aqueles que se encontram na mesma situação clínica do que eu e dizer-lhes que a vida não acaba ali e que a Sida pode ser o principio de nova vida.
Agora não posso aceitar nem compreender, que depois de tantos anos de investigação, ainda se tenham de utilizar medicamentos que a pouco e pouco nos tornam em farrapos humanos com as mais diversas patologias e que nos levam à morte ou à incapacidade total para controlarem a infecção.
Que crime afinal cometi, para uma condenação perpétua por agravo, que me obrigue e a tantos milhares de outros infectados a viver vidas que se degradam a cada dia que passa?
E agradecemos ter nascido numa parte do mundo onde há tratamentos que nos prolongam a vida e fazemos minutos de silêncio em memória daqueles que já partiram por não ter tido acesso aos retro virais. Quero viver como qualquer outro ser humano, mas por vezes questiono-me se o preço a pagar vale a pena e se não seria melhor desistir de tomar todo este arsenal químico de combate ao vírus maldito. A opção e a escolha é minha dir-me-ão e eu não poderei deixar de concordar com vocês. Afinal sou culpado ou inocente e de quê?
Perdoem-me este grito de revolta, mas ele saiu numa altura em que uma convalescença demasiado longa teima em não terminar e acerca da qual todos me dizem que é normal.
Não há caminhos fáceis e todos eles estão ensombrados com a perspectiva de uma estrada sem saída. É um círculo de fogo à minha volta, em que parece não haver outra saída, a não ser aquela que o escorpião toma numa situação como esta.
A noção de pecado ou de culpa que se quer expiada afinal onde está? Qual o preço a pagar por um crime cometido, se ao amor ou a um caldo de droga injectável se pode chamar de crime. E aqueles em que a condenação vem de actos praticados pelos seus progenitores.
Aceitar a infecção pelo HIV é fácil depois de se compreender que isso não nos vai matar de imediato e que podemos ter uma vida com alguma qualidade. Viver durante anos e anos a infecção e ver o nosso corpo a degradar-se cada vez mais devido aos medicamentos tomados para controlar a infecção é que se torna insuportável.
No passado, mesmo quando a visita às urgências era obrigatória duas vezes por semana com dores horríveis devido a problemas renais isso era encarado com optimismo. Medicação mudada problema resolvido. A Vida segue em frente alegremente pois volta tudo ao normal.
Depois vêm os problemas com o fígado devido ao novo medicamento. Uma Ascite, um internamento hospitalar por cerca de 15 dias e um lóbulo do fígado com cirrose. Tiram-se uns litros de um líquido esverdeado da região abdominal e nova mudança de medicamento.
Parecia tudo correr na perfeição, depois de se escolher um medicamento menos tóxico o que durou perto de 4 anos. Um telefonema do hospital, num horário já tardio de uma noite, pedia para interromper de imediato a toma desse medicamento pois havia sido detectada uma anomalia no seu fabrico e o medicamento poderia estar contaminado com uma substância altamente cancerígena e potencialmente mortal.
Nova mudança de medicamentos e desta vez para mal dos meus pecados ao fim de pouco mais de um ano de os estar a tomar começam a aparecer estes problemas cardíacos.
Não é dos medicamentos que estou a tomar embora pudessem acelerar o processo, dizem os médicos. Afinal e depois de muito pensar sou levado a concluir que não morrerei da doença mas da cura ou dos medicamentos tomados para uma cura que o não é, e que servem apenas para atrasar o desenvolvimento da doença.
Posso até compreender o HIV, e os efeitos benéficos que o mesmo operou em mim para ter tempo para compreender e ajudar o meu semelhante. Posso encorajar aqueles que se encontram na mesma situação clínica do que eu e dizer-lhes que a vida não acaba ali e que a Sida pode ser o principio de nova vida.
Agora não posso aceitar nem compreender, que depois de tantos anos de investigação, ainda se tenham de utilizar medicamentos que a pouco e pouco nos tornam em farrapos humanos com as mais diversas patologias e que nos levam à morte ou à incapacidade total para controlarem a infecção.
Que crime afinal cometi, para uma condenação perpétua por agravo, que me obrigue e a tantos milhares de outros infectados a viver vidas que se degradam a cada dia que passa?
E agradecemos ter nascido numa parte do mundo onde há tratamentos que nos prolongam a vida e fazemos minutos de silêncio em memória daqueles que já partiram por não ter tido acesso aos retro virais. Quero viver como qualquer outro ser humano, mas por vezes questiono-me se o preço a pagar vale a pena e se não seria melhor desistir de tomar todo este arsenal químico de combate ao vírus maldito. A opção e a escolha é minha dir-me-ão e eu não poderei deixar de concordar com vocês. Afinal sou culpado ou inocente e de quê?
Perdoem-me este grito de revolta, mas ele saiu numa altura em que uma convalescença demasiado longa teima em não terminar e acerca da qual todos me dizem que é normal.
SIDA [:] Doença Fatal [?]

Apesar de muitas das pessoas que responderam a uma pesquisa feita em nove países terem dito que a SIDA é sempre uma doença fatal, muitas acreditam incorrectamente que existe uma cura disponível. O projecto de investigação envolveu 4.510 entrevistas conduzidas nos Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França, China, Índia, México, Brasil e África do Sul. Foi licenciado pelo Fundo MAC AIDS, uma filantropia estabelecida pela companhia de cosméticos MAC da Estee Lauder.
Entre os resultados da pesquisa encontravam-se os seguintes:
Na Índia, 59% das pessoas que participaram, acreditavam que existe uma cura disponível para a infecção do VIH.
Quase metade de todos os participantes, acreditavam que a maioria das pessoas com VIH estão a receber tratamento; na verdade, dados de 2006 mostram que apenas um em cada cinco pacientes está a receber tratamento.
Quase metade dos que responderam, disseram que se sentiriam desconfortáveis por estar ao lado de alguém com VIH; 52% não quereria viver na mesma casa que um paciente; e 79% disse que não quereria ter um relacionamento com uma pessoa portadora do vírus.
O VIH está a difundir-se, em parte, porque as mulheres se sentem desconfortáveis em discutir práticas de sexo seguro com os seus parceiros, declararam 73% dos que responderam.
O VIH está a difundir-se, em parte, porque as mulheres se sentem desconfortáveis em discutir práticas de sexo seguro com os seus parceiros, declararam 73% dos que responderam.
"Quando as pessoas acreditam que a doença não é fatal e que existe uma cura, é porque nós não as educámos correctamente”, disse a Dra. Marsha Martin, directora dos programas VIH/SIDA no escritório do presidente do município de Oakland, Calif.
“Os resultados desta pesquisa, juntamente com o recente fracasso do ensaio mais promissor para a vacina da SIDA, sublinham o facto de que nós não vamos “vacinar” ou “curar” o nosso percurso no sentido de sair desta epidemia”, declarou Nancy Mahon, directora executiva do Fundo para a SIDA da MAC."
“Todos nós, temos que redobrar esforços e recursos e focarmo-nos em programas de prevenção para o VIH básicos e eficazes que visem as diferenças de género, idade e raça de um modo directo e culturalmente competente.”
Reuters Health
A Outra Face da Grandeza
Bioterrorismo. Não é fruto da imaginação de escritores de ficção científica. É uma ameaça pendente que pode transformar-se em realidade. Trata-se do uso de agentes biológicos e químicos como meio de desencadear uma guerra visando não uma destruição de bens mas um ataque maciço de uma determinada população.
Os agentes biológicos são fabricados em condições de alta segurança e devido à sua instabilidade uma vez que se tratam de bactérias e vírus, muitos deles são armazenados num estado inofensivo só se tornando patogénicos quando libertados. Por melhores que sejam as condições de segurança não é impossível a ocorrência de acidentes que levam à libertação dos agentes para o ar dizimando um grande número de pessoas ou uma população inteira de seres vivos.
São sete as doenças mais importantes que resultam do arsenal biológico das grandes potências:
- Antrax – Um a três dias após a libertação provoca afecções pulmonares graves, e por se incorporar facilmente nos alimentos e na pele, a forma de contaminação é fácil. Foi em tempos alcunhado de “Pó branco” aquando dos ataques do 11 de Setembro, com a instalação do clima de medo.
- Varíola – A elaboração do vírus em laboratório é bastante difícil mas não impossível. A virulência deste agente é notável porque uma vez contaminando, o contágio entre humanos é possível por via respiratória e cutânea.
- Peste – A manipulação em laboratório é altamente perigosa. Uma vez solto, pode disseminar-se por mordeduras de rato e pelo ar. De seguida também existe o contágio entre pessoas.
- Botulismo – Infecta através da ingestão de toxinas, da respiração e da pele.
É de elaboração fácil em laboratório contudo não se propaga por contágio entre humanos mas sim apenas pela exposição directa ao agente.
- Outros agentes são os da Tularémia, febre hemorrágica e brucelose, todos de elaboração difícil e o último pouco letal pelo que são menos importantes a nível de contágio.
Vem este tema a propósito do veto que os Estados Unidos mantiveram e ainda hoje mantêm com mil e uma regras, à entrada no país de seropositivos. Se o espírito do homem serve para entender as coisas e o desafio é imenso quanto mais difícil for assimilá-las, somos especialmente desafiados para tentar entender este comportamento por parte de um país.
Numa terra que se diz aberta a todos e aos que sonham, ambicionando ser “all thing to all men”, numa sociedade que já devia ter enterrado os tabus e a discriminação, verificam-se atitudes de uma crueldade feroz, porque a atitude cruel também atinge o interior de um ser humano a ponto de quase se criar um “tribunal” que arrasta o ser em questão à humilhante condição de tudo ter se ser justificado. Falta cair demasiado preconceito.
Ao fim e ao cabo, o que caracteriza a grandeza de uma nação não é a riqueza e o arsenal militar. Tem de representar algo digno de admiração, algo que é exemplo a seguir. E se os Estados Unidos e outras grandes potências são admirados e invejados por todo o mundo, passa a muitos despercebida a urgência na mudança de certas regras que longe de os inferiorizar só lhe enriqueceria a face.
- Peste – A manipulação em laboratório é altamente perigosa. Uma vez solto, pode disseminar-se por mordeduras de rato e pelo ar. De seguida também existe o contágio entre pessoas.
- Botulismo – Infecta através da ingestão de toxinas, da respiração e da pele.
É de elaboração fácil em laboratório contudo não se propaga por contágio entre humanos mas sim apenas pela exposição directa ao agente.
- Outros agentes são os da Tularémia, febre hemorrágica e brucelose, todos de elaboração difícil e o último pouco letal pelo que são menos importantes a nível de contágio.
Vem este tema a propósito do veto que os Estados Unidos mantiveram e ainda hoje mantêm com mil e uma regras, à entrada no país de seropositivos. Se o espírito do homem serve para entender as coisas e o desafio é imenso quanto mais difícil for assimilá-las, somos especialmente desafiados para tentar entender este comportamento por parte de um país.
Numa terra que se diz aberta a todos e aos que sonham, ambicionando ser “all thing to all men”, numa sociedade que já devia ter enterrado os tabus e a discriminação, verificam-se atitudes de uma crueldade feroz, porque a atitude cruel também atinge o interior de um ser humano a ponto de quase se criar um “tribunal” que arrasta o ser em questão à humilhante condição de tudo ter se ser justificado. Falta cair demasiado preconceito.
Ao fim e ao cabo, o que caracteriza a grandeza de uma nação não é a riqueza e o arsenal militar. Tem de representar algo digno de admiração, algo que é exemplo a seguir. E se os Estados Unidos e outras grandes potências são admirados e invejados por todo o mundo, passa a muitos despercebida a urgência na mudança de certas regras que longe de os inferiorizar só lhe enriqueceria a face.
VIH, Retrovirais e o Coração

Embora quase sempre se tente descartar a origem de certas patologias em doentes infectados pelo VIH devido ao uso dos medicamentos retrovirais, parece haver um consenso a nível científico, de que alguns fármacos utilizados no combate ao HIV, em especial os da classe dos “Inibidores da Protease”, propiciam o desenvolvimento de Doença cardiovascular.
Este tipo de medicamentos (sempre com a ressalva cientifica “alguns”) aumentam os níveis de gordura e de açúcar no sangue, e eventos coronários agudos como enfartes agudos do miocárdio, tromboses, acidente vascular cerebral e também a morte acontecem em grande parte devido à acumulação de depósitos destas gorduras nos vasos sanguíneos do coração.
Infelizmente, nem todos os médicos que tratam doentes infectados pelo VIH se preocupam com certos pormenores. A preocupação principal é baixar a carga viral a níveis indetectáveis e aumentar a capacidade do sistema imunitário através do aumento das células CD4, o que não deixa de ser importante, no entanto há muito mais preocupações a ter com um doente infectado pelo VIH.
Diga-se em boa verdade que muitos médicos não têm experiência nem informação e formação, para tratarem doentes com VIH mas fazem-no legalmente, prescrevendo medicamentos que muitas vezes interagem entre eles e provocam mais danos do que benefícios, ao doente. Certos médicos estudiosos e especialistas em VIH reconhecem este problema, e por vezes ao doente, mediante uma receita de outro médico, aconselham a substituir este ou aquele medicamento e para de maneira nenhuma tocar noutro que lhe foi receitado.
A pouco e pouco o panorama vai mudando na secção de infecciologia, mas há falhas de ligação de informação em relação a outras especialidades entre as quais a cardiologia. A prescrição de medicamentos para baixar o colestrol e outros medicamentos associados tem de ter em atenção a medicação retroviral que cada doente infectado com o VIH está a tomar, o que não acontece.
Há os doentes atentos e informados, mas a maior parte dos doentes limita-se apenas a fazer aquilo que o médico manda fazer. Certamente não é suposto ser o doente a corrigir o médico e isso pode mesmo originar mal entendidos e crispação entre paciente e médico o que não é de todo desejável. Fica aqui apenas o reparo e o que cito aconteceu comigo. Nada disse ao médico limitei-me a não comprar o medicamento prescrito e a pedir a outro médico para me prescrever outro para o mesmo efeito, que não tivesse interacções.
Não pretendo com este texto chamar ignorantes a certos médicos, mas apenas alertar que cerca de 40.000 infectados no nosso país, fazem com que certos cuidados na prescrição de medicamentos a pessoas infectadas seja levada em conta, e para que haja formação e manuais de interacções medicamentosas, para que certos medicamentos não sejam receitados.
O VIH não é infelizmente uma especialidade clínica, mas devia sê-lo. Anos atrás doentes infectados eram rechaçados por alguns médicos que os não queriam tratar. Depois e porque isso começou a dar prestigio aos médicos que cuidavam de doentes com VIH começaram a ser desejados. Pena que nesta altura não fossem exigidas qualificações pós graduação com acompanhamento formativo permanente a esses médicos conforme o armamentário retroviral se fosse desenvolvendo o que está a acontecer permanentemente com novas classes de drogas para o seu combate.
A SIDA ou melhor o VIH, continua a matar, agora de forma subtil e camuflada, não lhe sendo atribuídas (estatisticamente) as mortes por doenças cardiovasculares e não só. Morre-se com um sistema imunitário fortalecido e sem carga viral. Morre-se pelos medicamentos tomados para manter essa desejada situação.
Morrer parece ainda ser vergonha para os familiares quando alguém morre com SIDA. Morrer porque o coração falhou (devido a quê não interessa), parece ser uma honra pois sempre se ouve a frase atenuante do... coitado ainda tão novo e a máquina falhou.
Deixem-se de hipocrisias os senhores das estatísticas, os investigadores de medicamentos e os profissionais de saúde que nos tratam. Digam que morremos de SIDA, desenvolvam medicamentos que não causem tantos danos colaterais, e os que nos tratam estejam atentos àquilo que podemos ou não podemos tomar e às patologias para as quais somos um potencial grupo de risco devido às terapias que tomamos para combater o vírus.
Em próximos textos iremos abordar a forma de minimizar os riscos de doenças cardiovasculares e a maneira precoce de nós mesmos as detectarmos e avisarmos o médico que nos segue.
Um abraço
EUA Facilitam as Regras de Obtenção de Vistos para Visitantes VIH-Positivos
Na Segunda-feira, o Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou que vai facilitar e acelerar o processamento de vistos de visitantes VIH-positivos para os Estados Unidos da América. O anúncio surge meses após o Presidente Bush ter abolido uma legislação vigente há 21 anos que proibia as viagens de pessoas infectadas com o VIH/SIDA aos Estados Unidos. Anteriormente, só as pessoas com uma autorização especial podiam entrar.
Sob as novas regras, os consulados dos EUA no estrangeiro terão autoridade para passar vistos temporários, não emigrantes, a candidatos VIH-positivos que vão ao encontro de "todos os outros critérios normais para atribuição de um viso para os EUA", dizia uma declaração do DHS. "Estamos também a acelerar o processo mediante a disponibilização de um local adicional para admissão temporária, ao mesmo tempo que mantemos um elevado nível de segurança nas nossas fronteiras", disse o Secretário do DHS, Michael Chertoff.
Os vistos emitidos agora "serão sujeitos a certos critérios estabelecidos para assegurar que as actividades de uma pessoa infectada com o VIH enquanto nos Estados Unidos não constituam risco para a saúde pública", dizia a declaração, sem entrar em pormenores.
Agência France Presse (29.09.2008)
A Etravirina Aprovada na Europa

Um novo medicamento da classe dos inibidores da transcriptase reversa (ITRNN), a etravirina (Intelence), recebeu a aprovação de comercialização na União Europeia, de acordo com o anúncio feito na última semana de Agosto, pela empresa farmacêutica Tibotec. A aprovação deste medicamento, para uso nas pessoas com experiência anterior de medicação anti-retroviral em combinação com um inibidor da protease potenciado e outros medicamentos anti-retrovirais, baseou-se nos resultados dos estudos DUET. Este fármaco recebeu uma aprovação acelerada, em Janeiro de 2008, mas a autorização americana não especifica que a sua utilização deva ser feita em combinação com um inibidor da protease potenciado.
A etravirina é o primeiro medicamento inibidor da transcriptase reversa não nucleósido autorizado nos últimos 10 anos e o primeiro a mostrar actividade nas pessoas que já desenvolveram resistências aos medicamentos efavirenze (Sustiva ou Stocrin) ou nevirapina (Viramune).
O Dr. Martin Fisher, um consultor na área da infecção pelo VIH do Hospital da Universidade de Brighton & Sussex, referiu em Janeiro, quando a etravirina for aprovada nos Estados Unidos, que a existência de resistências cruzadas aos ITRNN pode ser o factor mais limitativo deste medicamento. “Quando se usa a etravirina deve-se ter muita atenção ao grau de resistências pré-existentes aos ITRNN,” afirmou este médico.
“O que ficou muito claro é que, de forma geral, quanto mais mutações aos ITRNN existirem, menos eficaz será a etravirina. Assim, a mensagem mais importante é: quem está medicado com nevirapina ou efavirenze e apresenta falência virológica, necessita de parar de tomar estes medicamentos o mais rapidamente possível, caso contrário, as hipóteses de utilização de etravirina no futuro ficam reduzidas.”
Contudo a análise dos doentes seguidos no London’s Chelsea and Westminster Hospital com resistências aos medicamentos ITRNN publicada no inicio deste ano, sugere que a proporção de doentes que beneficiaria com o uso de etravirina seria grande, apesar de apresentarem resistências a esta classe de medicamentos. Cerca de 90% dos que apresentavam falência virológica ao tratamento com efavirenze ou nevirapina mostrava suficiente sensibilidade à etravirina, sugerindo que estes doentes teriam beneficio se fossem medicados com este fármaco.
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