SIDA [:] Doença Fatal [?]





Apesar de muitas das pessoas que responderam a uma pesquisa feita em nove países terem dito que a SIDA é sempre uma doença fatal, muitas acreditam incorrectamente que existe uma cura disponível. O projecto de investigação envolveu 4.510 entrevistas conduzidas nos Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França, China, Índia, México, Brasil e África do Sul. Foi licenciado pelo Fundo MAC AIDS, uma filantropia estabelecida pela companhia de cosméticos MAC da Estee Lauder.

Entre os resultados da pesquisa encontravam-se os seguintes:

Na Índia, 59% das pessoas que participaram, acreditavam que existe uma cura disponível para a infecção do VIH.

Quase metade de todos os participantes, acreditavam que a maioria das pessoas com VIH estão a receber tratamento; na verdade, dados de 2006 mostram que apenas um em cada cinco pacientes está a receber tratamento.

Quase metade dos que responderam, disseram que se sentiriam desconfortáveis por estar ao lado de alguém com VIH; 52% não quereria viver na mesma casa que um paciente; e 79% disse que não quereria ter um relacionamento com uma pessoa portadora do vírus.

O VIH está a difundir-se, em parte, porque as mulheres se sentem desconfortáveis em discutir práticas de sexo seguro com os seus parceiros, declararam 73% dos que responderam.

"Quando as pessoas acreditam que a doença não é fatal e que existe uma cura, é porque nós não as educámos correctamente”, disse a Dra. Marsha Martin, directora dos programas VIH/SIDA no escritório do presidente do município de Oakland, Calif.

“Os resultados desta pesquisa, juntamente com o recente fracasso do ensaio mais promissor para a vacina da SIDA, sublinham o facto de que nós não vamos “vacinar” ou “curar” o nosso percurso no sentido de sair desta epidemia”, declarou Nancy Mahon, directora executiva do Fundo para a SIDA da MAC."

“Todos nós, temos que redobrar esforços e recursos e focarmo-nos em programas de prevenção para o VIH básicos e eficazes que visem as diferenças de género, idade e raça de um modo directo e culturalmente competente.”

Reuters Health

A Outra Face da Grandeza





Bioterrorismo. Não é fruto da imaginação de escritores de ficção científica. É uma ameaça pendente que pode transformar-se em realidade. Trata-se do uso de agentes biológicos e químicos como meio de desencadear uma guerra visando não uma destruição de bens mas um ataque maciço de uma determinada população.

Os agentes biológicos são fabricados em condições de alta segurança e devido à sua instabilidade uma vez que se tratam de bactérias e vírus, muitos deles são armazenados num estado inofensivo só se tornando patogénicos quando libertados. Por melhores que sejam as condições de segurança não é impossível a ocorrência de acidentes que levam à libertação dos agentes para o ar dizimando um grande número de pessoas ou uma população inteira de seres vivos.

São sete as doenças mais importantes que resultam do arsenal biológico das grandes potências:

- Antrax – Um a três dias após a libertação provoca afecções pulmonares graves, e por se incorporar facilmente nos alimentos e na pele, a forma de contaminação é fácil. Foi em tempos alcunhado de “Pó branco” aquando dos ataques do 11 de Setembro, com a instalação do clima de medo.

- Varíola – A elaboração do vírus em laboratório é bastante difícil mas não impossível. A virulência deste agente é notável porque uma vez contaminando, o contágio entre humanos é possível por via respiratória e cutânea.

- Peste – A manipulação em laboratório é altamente perigosa. Uma vez solto, pode disseminar-se por mordeduras de rato e pelo ar. De seguida também existe o contágio entre pessoas.

- Botulismo – Infecta através da ingestão de toxinas, da respiração e da pele.
É de elaboração fácil em laboratório contudo não se propaga por contágio entre humanos mas sim apenas pela exposição directa ao agente.

- Outros agentes são os da Tularémia, febre hemorrágica e brucelose, todos de elaboração difícil e o último pouco letal pelo que são menos importantes a nível de contágio.

Vem este tema a propósito do veto que os Estados Unidos mantiveram e ainda hoje mantêm com mil e uma regras, à entrada no país de seropositivos. Se o espírito do homem serve para entender as coisas e o desafio é imenso quanto mais difícil for assimilá-las, somos especialmente desafiados para tentar entender este comportamento por parte de um país.

Numa terra que se diz aberta a todos e aos que sonham, ambicionando ser “all thing to all men”, numa sociedade que já devia ter enterrado os tabus e a discriminação, verificam-se atitudes de uma crueldade feroz, porque a atitude cruel também atinge o interior de um ser humano a ponto de quase se criar um “tribunal” que arrasta o ser em questão à humilhante condição de tudo ter se ser justificado. Falta cair demasiado preconceito.

Ao fim e ao cabo, o que caracteriza a grandeza de uma nação não é a riqueza e o arsenal militar. Tem de representar algo digno de admiração, algo que é exemplo a seguir. E se os Estados Unidos e outras grandes potências são admirados e invejados por todo o mundo, passa a muitos despercebida a urgência na mudança de certas regras que longe de os inferiorizar só lhe enriqueceria a face.

VIH, Retrovirais e o Coração


Embora quase sempre se tente descartar a origem de certas patologias em doentes infectados pelo VIH devido ao uso dos medicamentos retrovirais, parece haver um consenso a nível científico, de que alguns fármacos utilizados no combate ao HIV, em especial os da classe dos “Inibidores da Protease”, propiciam o desenvolvimento de Doença cardiovascular.

Este tipo de medicamentos (sempre com a ressalva cientifica “alguns”) aumentam os níveis de gordura e de açúcar no sangue, e eventos coronários agudos como enfartes agudos do miocárdio, tromboses, acidente vascular cerebral e também a morte acontecem em grande parte devido à acumulação de depósitos destas gorduras nos vasos sanguíneos do coração.

Infelizmente, nem todos os médicos que tratam doentes infectados pelo VIH se preocupam com certos pormenores. A preocupação principal é baixar a carga viral a níveis indetectáveis e aumentar a capacidade do sistema imunitário através do aumento das células CD4, o que não deixa de ser importante, no entanto há muito mais preocupações a ter com um doente infectado pelo VIH.

Diga-se em boa verdade que muitos médicos não têm experiência nem informação e formação, para tratarem doentes com VIH mas fazem-no legalmente, prescrevendo medicamentos que muitas vezes interagem entre eles e provocam mais danos do que benefícios, ao doente. Certos médicos estudiosos e especialistas em VIH reconhecem este problema, e por vezes ao doente, mediante uma receita de outro médico, aconselham a substituir este ou aquele medicamento e para de maneira nenhuma tocar noutro que lhe foi receitado.

A pouco e pouco o panorama vai mudando na secção de infecciologia, mas há falhas de ligação de informação em relação a outras especialidades entre as quais a cardiologia. A prescrição de medicamentos para baixar o colestrol e outros medicamentos associados tem de ter em atenção a medicação retroviral que cada doente infectado com o VIH está a tomar, o que não acontece.

Há os doentes atentos e informados, mas a maior parte dos doentes limita-se apenas a fazer aquilo que o médico manda fazer. Certamente não é suposto ser o doente a corrigir o médico e isso pode mesmo originar mal entendidos e crispação entre paciente e médico o que não é de todo desejável. Fica aqui apenas o reparo e o que cito aconteceu comigo. Nada disse ao médico limitei-me a não comprar o medicamento prescrito e a pedir a outro médico para me prescrever outro para o mesmo efeito, que não tivesse interacções.

Não pretendo com este texto chamar ignorantes a certos médicos, mas apenas alertar que cerca de 40.000 infectados no nosso país, fazem com que certos cuidados na prescrição de medicamentos a pessoas infectadas seja levada em conta, e para que haja formação e manuais de interacções medicamentosas, para que certos medicamentos não sejam receitados.

O VIH não é infelizmente uma especialidade clínica, mas devia sê-lo. Anos atrás doentes infectados eram rechaçados por alguns médicos que os não queriam tratar. Depois e porque isso começou a dar prestigio aos médicos que cuidavam de doentes com VIH começaram a ser desejados. Pena que nesta altura não fossem exigidas qualificações pós graduação com acompanhamento formativo permanente a esses médicos conforme o armamentário retroviral se fosse desenvolvendo o que está a acontecer permanentemente com novas classes de drogas para o seu combate.

A SIDA ou melhor o VIH, continua a matar, agora de forma subtil e camuflada, não lhe sendo atribuídas (estatisticamente) as mortes por doenças cardiovasculares e não só. Morre-se com um sistema imunitário fortalecido e sem carga viral. Morre-se pelos medicamentos tomados para manter essa desejada situação.

Morrer parece ainda ser vergonha para os familiares quando alguém morre com SIDA. Morrer porque o coração falhou (devido a quê não interessa), parece ser uma honra pois sempre se ouve a frase atenuante do... coitado ainda tão novo e a máquina falhou.

Deixem-se de hipocrisias os senhores das estatísticas, os investigadores de medicamentos e os profissionais de saúde que nos tratam. Digam que morremos de SIDA, desenvolvam medicamentos que não causem tantos danos colaterais, e os que nos tratam estejam atentos àquilo que podemos ou não podemos tomar e às patologias para as quais somos um potencial grupo de risco devido às terapias que tomamos para combater o vírus.

Em próximos textos iremos abordar a forma de minimizar os riscos de doenças cardiovasculares e a maneira precoce de nós mesmos as detectarmos e avisarmos o médico que nos segue.

Um abraço

EUA Facilitam as Regras de Obtenção de Vistos para Visitantes VIH-Positivos



Na Segunda-feira, o Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou que vai facilitar e acelerar o processamento de vistos de visitantes VIH-positivos para os Estados Unidos da América.

O anúncio surge meses após o Presidente Bush ter abolido uma legislação vigente há 21 anos que proibia as viagens de pessoas infectadas com o VIH/SIDA aos Estados Unidos. Anteriormente, só as pessoas com uma autorização especial podiam entrar.

Sob as novas regras, os consulados dos EUA no estrangeiro terão autoridade para passar vistos temporários, não emigrantes, a candidatos VIH-positivos que vão ao encontro de "todos os outros critérios normais para atribuição de um viso para os EUA", dizia uma declaração do DHS. "Estamos também a acelerar o processo mediante a disponibilização de um local adicional para admissão temporária, ao mesmo tempo que mantemos um elevado nível de segurança nas nossas fronteiras", disse o Secretário do DHS, Michael Chertoff.

Os vistos emitidos agora "serão sujeitos a certos critérios estabelecidos para assegurar que as actividades de uma pessoa infectada com o VIH enquanto nos Estados Unidos não constituam risco para a saúde pública", dizia a declaração, sem entrar em pormenores.

Agência France Presse (29.09.2008)

A Etravirina Aprovada na Europa





Um novo medicamento da classe dos inibidores da transcriptase reversa (ITRNN), a etravirina (Intelence), recebeu a aprovação de comercialização na União Europeia, de acordo com o anúncio feito na última semana de Agosto, pela empresa farmacêutica Tibotec. A aprovação deste medicamento, para uso nas pessoas com experiência anterior de medicação anti-retroviral em combinação com um inibidor da protease potenciado e outros medicamentos anti-retrovirais, baseou-se nos resultados dos estudos DUET. Este fármaco recebeu uma aprovação acelerada, em Janeiro de 2008, mas a autorização americana não especifica que a sua utilização deva ser feita em combinação com um inibidor da protease potenciado.

A etravirina é o primeiro medicamento inibidor da transcriptase reversa não nucleósido autorizado nos últimos 10 anos e o primeiro a mostrar actividade nas pessoas que já desenvolveram resistências aos medicamentos efavirenze (Sustiva ou Stocrin) ou nevirapina (Viramune).

O Dr. Martin Fisher, um consultor na área da infecção pelo VIH do Hospital da Universidade de Brighton & Sussex, referiu em Janeiro, quando a etravirina for aprovada nos Estados Unidos, que a existência de resistências cruzadas aos ITRNN pode ser o factor mais limitativo deste medicamento. “Quando se usa a etravirina deve-se ter muita atenção ao grau de resistências pré-existentes aos ITRNN,” afirmou este médico.

“O que ficou muito claro é que, de forma geral, quanto mais mutações aos ITRNN existirem, menos eficaz será a etravirina. Assim, a mensagem mais importante é: quem está medicado com nevirapina ou efavirenze e apresenta falência virológica, necessita de parar de tomar estes medicamentos o mais rapidamente possível, caso contrário, as hipóteses de utilização de etravirina no futuro ficam reduzidas.”

Contudo a análise dos doentes seguidos no London’s Chelsea and Westminster Hospital com resistências aos medicamentos ITRNN publicada no inicio deste ano, sugere que a proporção de doentes que beneficiaria com o uso de etravirina seria grande, apesar de apresentarem resistências a esta classe de medicamentos. Cerca de 90% dos que apresentavam falência virológica ao tratamento com efavirenze ou nevirapina mostrava suficiente sensibilidade à etravirina, sugerindo que estes doentes teriam beneficio se fossem medicados com este fármaco.

O Nome da Dor


Albino Forjaz Sampaio, autor do século passado, dizia no seu livro Palavras Cínicas: “Nunca te debruçaste na alma dum paralítico? Pois a qualquer momento que o fizesses havias de o encontrar absorto na raiva de toda a humanidade não ter, como ele, a sua cadeira de rodas.”

Dizia este homem, para quem a humanidade era um sucessivo desencanto, que o espírito humano tem deformidades que o levam a desejar aos outros os seus próprios males para não sofrer sozinho a compaixão e a inferiorização dos olhares que o diminuem por ser diferente.

Se é certo que Albino Forjaz Sampaio terá sempre uma parte da humanidade que se revê nas suas teorias a verdade é que, e felizmente, também há aqueles para quem a adversidade se transforma numa causa para a vida para que outros não tenham que passar pelos mesmos infortúnios. E isto independentemente da situação de desgraça lhes ter, ou não, sido ocasionada por alguém desse universo tempestuoso que Albino Forjaz Sampaio tantas vezes encontrou no seu caminho.

O mundo do HIV espelha muito todas estas situações. Pessoas que foram infectadas por outras que conscientes da sua patologia não se inibiram de passarem a outros a doença que também receberam de forma traiçoeira qual fantasma dos seus dias escuros e incertos, discriminados e solitários.

Mas é nas grandes provas que se conhecem as grandes pessoas. Raul, proprietário dos blogues SIDADANIA foi submetido a uma delicada operação cirúrgica ao coração e está agora nos cuidados intensivos. Há 12 anos que vive com o HIV e que deixou para trás os seus sucessos e uma vida que em tudo parecia ser promissora. Há 12 anos que Raul sofre na pele a dor duma doença para a qual não há cura e que só cede em troca de danos colaterais que vai provocando com a medicação adoptada.

Porém, e apesar das limitações, Raul não desiste na sua cruzada contra a SIDA, escrevendo nos seus blogues, informando-se em congressos, visitando locais onde as prostitutas procuram os seus clientes, para lhes falar sobre a prevenção e lhes distribuir preservativos. O mesmo faz com as seringas em relação aos toxicodependentes. Todas as suas forças estão centradas neste combate e, por isso, não se lamenta.

Apenas lamenta que a sua palavra não chegue a todos, que muitos se percam por falta de esclarecimento, que muitas crianças seropositivas sejam abandonadas em instituições e nunca, ou muito raramente, sejam escolhidas para adopção.

São dele as frases que a seguir transcrevo.

“Nem sempre a vida é fácil, e nós por vezes contribuímos para a tornar ainda mais difícil com a nossa inactividade.

Quotidianamente recebemos lições de vida, muitas das quais nos passam despercebidas tão ocupados estamos olhando para o nosso umbigo, ou lamentando-nos dos nossos problemas, que em vez de nos libertarmos nos afundamos cada vez mais não vendo saída, o que poderia acontecer caso investíssemos esforço na resolução dos nossos problemas.

Quantas vezes sendo incapazes de resolver os nossos problemas não aceitamos a ajuda que nos dão por pensarmos que a mesma não chega para a solução deste ou daquele problema. Certo é que somos exigentes connosco mesmo até em receber isto ou aquilo só porque habituados a pensar quantitativamente nos esquecemos que uma grande inundação começa com uma gota de água. Queremos tudo de uma vez e na medida certa para satisfazer as nossas necessidades e acabamos por as agravar tornando o nosso sofrimento cada vez maior.

Para além disso poderei dizer que me dói a alma, não só por mim mas por todos aqueles que estão infectados, e por aqueles que em breve passarão a estar porque a mensagem dos perigos da SIDA não foi passada e ela só acontece aos outros.”

Cedido por Silêncio Culpado / Texto de Lídia Soares

Na Promessa do [teu] Regresso


Partes por hoje porque urge a vida
em coração de corpo e alma na esperança do regresso
por aqui o teu canto não perderá voz
aguardamos na ânsia do teu saber empírico
porque sem ti, nós, não somos nós
e a vida ganha em sarro um sabor fatídico

Partes com hora marcada para voltares aqui
às pedras deste castelo edificado
onde a alma no teu corpo se estende na voz
porque sem ti, nós, não somos nós
e se cala o canto, amordaçado

Partes para que regresses logo em seguida
porque ambicionamos a vida em ti personificada
a mente exalta indiferente, até esvaída
a vida não é Sida, porque a Sida também é vida
porque sem ti, nós, não somos nós
e a construção do tudo se resume ao quase nada

Dedico estes rabiscos ao Raúl, com a esperança de um até já,
de coração para coração ...

Proibição de entrada de viajantes com VIH nos EUA é levantada parcialmente


O Presidente Bush acrescentou uma medida legal que fornece 48 biliões de dólares para combater o VIH/SIDA e outras doenças e acabou com uma política que impedia indivíduos VIH-positivos de viajar para os Estados Unidos. No entanto, o fim da proibição de viajar desde 1993 não acaba com todos os impedimentos para visitantes estrangeiros ou imigrantes VIH-positivos.

Desde 1987, o Department of Health and Human Services (HHS) acrescentou o VIH a uma lista de doenças que barram a entrada nos Estados Unidos, uma proibição que está separada do impedimento imposto pelo congresso. Mas agora que os legisladores acabaram com a lei de impedimento aos viajantes VIH-positivos, as entidades de saúde federais não podem legalmente manter o VIH na lista, que também inclui a tuberculose, gonorreia e a lepra.

Em 1991, o HHS propôs a remoção do VIH da sua lista, mas isto levantou as vozes dos conservadores religiosos e a tentativa ficou sem efeito, disse Victoria Neilson, directora legal para a Igualdade do Imigrante, um grupo de Nova Iorque. Haverá um período de comentários se o HHS revisitar a proposta.

A atitude perante o VIH/SIDA mudou e o debate poderá ser diferente hoje, disse Neilson. "As pessoas percebem que é um vírus, não a peste negra ou algo semelhante. Não há razão para uma doença que não se transmite pelo ar estar nessa lista". Estão disponíveis declarações de renúncia. Uma declaração de renúncia de curta duração permite aos visitantes entrar nos Estados Unidos temporariamente, não representando uma ameaça à saúde pública.
(Los Angeles Times 07.31.08)

A Meditação retarda a SIDA


Um estudo recente concluíu que a meditação eleva a contagem de células T CD4 em portadores do vírus da imunodeficiência humana.

A investigação foi efectuada com a participação de 67 adultos VIH positivos, que declararam ter um ritmo de vida muito stressante. Deste universo, cerca de 30% encontram-se sob terapia antiretroviral. 48 voluntários participaram parcialmente ou na totalidade de um programa de diminuição de stress, denominado "Meditação Mente Completa", definido como a prática de uma percepção aberta e receptiva do momento presente, evitando o pensamento no passado e a premeditação do futuro, como uma preocupação constante e obsessiva.

As contagens de células T CD4 foram efectuadas antes e após dois meses da conclusão do programa. Nos 48 voluntários que participaram na prática da meditação, ocorreu um aumento significativo das células T CD4, face aos restantes participantes.

O treino anti-stress através da meditação pode ter um impacto directo no atraso da progressão do VIH, mesmo quando este se encontra controlado face ao uso da terapêutica antiretroviral (HAART). O stress tem efeitos directos na carga viral, pelo que, o seu controle permite melhorar a qualidade de vida dos portadores.

Este estudo, publicado no jornal "Brain, Behavior and Immunity", sugere a prática da meditação como um tratamento complementar poderoso para o VIH, em conjunto com os fármacos utilizados na supressão vírica.

Viver um dia de cada vez, sem encontrar no passado a culpa e o arrependimento constante pela realidade presente, evitando olhar o futuro como sinónimo de sofrimento, agonia e morte, contribuirá decerto para atrasar significativamente a progressão para o estádio de SIDA, recuperando e mantendo o sistema imunitário, viabilizando a defesa natural das infecções oportunistas.

O sistema nervoso actua directamente no complicado mecanismo que nos defende das agressões a que diariamente estamos sujeitos, pelo que, o cumprimento de uma vida saudável, assente na felicidade traçada a partir de todos os momentos, em que a paz seja uma constante, evitando o stress e os pensamentos que fomentem o aumento da tensão, poderão constituir uma terapia complementar a esta patologia, conquistando tempo com qualidade, ao tempo que dispomos para viver, que se acrescenta a cada dia que passa.

Doze anos mais tarde


A caminho dos doze anos de infecção pelo HIV, a SIDA certamente já não é o que era.
Mudam-se os tempos mudam-se os pensares, e aqueles medos e receios que na altura da infecção são comuns à maior parte dos infectados desapareceram.
Contudo, não poderei dizer que o HIV e a SIDA se varreram da minha cabeça e que apenas penso nisso na altura das tomas dos medicamentos e nas vezes que vou ao hospital às consultas e tirar sangue para as análises.
Se por um lado os medos iniciais da morte a curto prazo e do grande sofrimento pelo qual iria passar até que ela viesse tivessem desaparecido, por outro lado nasceram outros medos e houve um despertar da consciencialização da doença. O conhecimento adquirido acerca da mesma e das terapias que mantêm o vírus controlado como se estivesse adormecido, aviva o seu fantasma por se desenvolverem patologias devido à toxicidade dos medicamentos. Deixei de pensar na morte devido à falência do sistema imunitário e ao desenvolvimento de doenças oportunistas e comecei a pensar nela devido à destruição do fígado, dos rins e do risco de doenças cardio vasculares.
O certo é que nada é como era antes, e embora seja moda dizer-se que a SIDA deixou de matar isso é apenas para tranquilizar as mentes dos menos atentos.
Brinca-se um pouco com os horários das tomas dos medicamentos, pois o conhecimento acerca da semi vida dos mesmos e da sua concentração no sangue permite-nos isso. Chega-se mesmo ao ponto, a depois de um concerto de rock se tomarem os medicamentos com cerveja(pudera não existe outro liquido disponível), mas tudo bem. Enfim uma doença crónica, que tecnicamente não o é, e que mais parece uma bomba com um mecanismo retardador que lhe dá o aspecto de uma bola inofensiva, mas cujo conteúdo está pronto para explodir quando por qualquer motivo o detonador actuar.
É um pouco como a historinha do brincar na floresta enquanto o lobo não está, que alegravam as nossas brincadeiras de criança. O lobo ia respondendo às nossas perguntas dizendo que peça de roupa estava vestindo, até estar pronto para metaforicamente nos atacar.
Só que aqui, nesta história real, quando os indicadores revelam a resistência do vírus aos medicamentos, por vezes não há lugar para onde fugir.
A esperança no aparecimento da cura vai-se desvanecendo, a cada dia que passa. A obsessão compulsiva de ir a congressos e mais congressos e a esperança que renasce após cada um deles, quando nos falam de uma vacina ou de um novo medicamento extremamente promissor, desaparece pouco tempo depois quando de um momento para o outro sabemos que a investigação parou e que por qualquer motivo foi mais um fiasco da investigação.
O engraçado no meio disto tudo, é que se me perguntarem o que me dói eu forçosamente terei de dizer nada, exceptuando claro está as dores provocadas pelos enfartes sucessivos que tenho tido e cuja origem é desconhecida não se sabendo se é do próprio vírus ou da medicação para o controlo do mesmo, e aqui entram as teses e os estudos feitos e o culpado nunca é revelado com certeza absoluta.
Para além disso poderei dizer que me dói a alma, não só por mim mas por todos aqueles que estão infectados, e por aqueles que em breve passarão a estar porque a mensagem dos perigos da SIDA não foi passada e ela só acontece aos outros.
Não tenho medo da morte e sei que um dia sem data nem hora marcada nos vamos encontrar. É o destino de todos os seres humanos e não é o HIV que vem modificar esta lei da natureza.
O futuro é o presente vivido hora a hora o mais intensamente possível. Enquanto esteve a ler este texto quantos sem esperar tiveram o seu encontro com a morte. Vida e Sida são palavras quase iguais diferenciando-se apenas na primeira letra. Curiosamente a primeira começa com uma letra que parece uma seta indicadora, que aponta para baixo ou seja para a sepultura. A segunda palavra, associada à morte começa com uma letra que parece um sinal de trânsito que indica curvas e contra curvas.
É por essa estrada que eu sigo contornando as curvas enquanto puder.
Viva a vida e faça o favor de ser feliz.