
Proibição de entrada de viajantes com VIH nos EUA é levantada parcialmente

A Meditação retarda a SIDA

A investigação foi efectuada com a participação de 67 adultos VIH positivos, que declararam ter um ritmo de vida muito stressante. Deste universo, cerca de 30% encontram-se sob terapia antiretroviral. 48 voluntários participaram parcialmente ou na totalidade de um programa de diminuição de stress, denominado "Meditação Mente Completa", definido como a prática de uma percepção aberta e receptiva do momento presente, evitando o pensamento no passado e a premeditação do futuro, como uma preocupação constante e obsessiva.
As contagens de células T CD4 foram efectuadas antes e após dois meses da conclusão do programa. Nos 48 voluntários que participaram na prática da meditação, ocorreu um aumento significativo das células T CD4, face aos restantes participantes.
O treino anti-stress através da meditação pode ter um impacto directo no atraso da progressão do VIH, mesmo quando este se encontra controlado face ao uso da terapêutica antiretroviral (HAART). O stress tem efeitos directos na carga viral, pelo que, o seu controle permite melhorar a qualidade de vida dos portadores.
Este estudo, publicado no jornal "Brain, Behavior and Immunity", sugere a prática da meditação como um tratamento complementar poderoso para o VIH, em conjunto com os fármacos utilizados na supressão vírica.
Viver um dia de cada vez, sem encontrar no passado a culpa e o arrependimento constante pela realidade presente, evitando olhar o futuro como sinónimo de sofrimento, agonia e morte, contribuirá decerto para atrasar significativamente a progressão para o estádio de SIDA, recuperando e mantendo o sistema imunitário, viabilizando a defesa natural das infecções oportunistas.
Doze anos mais tarde

Mudam-se os tempos mudam-se os pensares, e aqueles medos e receios que na altura da infecção são comuns à maior parte dos infectados desapareceram.
Contudo, não poderei dizer que o HIV e a SIDA se varreram da minha cabeça e que apenas penso nisso na altura das tomas dos medicamentos e nas vezes que vou ao hospital às consultas e tirar sangue para as análises.
Se por um lado os medos iniciais da morte a curto prazo e do grande sofrimento pelo qual iria passar até que ela viesse tivessem desaparecido, por outro lado nasceram outros medos e houve um despertar da consciencialização da doença. O conhecimento adquirido acerca da mesma e das terapias que mantêm o vírus controlado como se estivesse adormecido, aviva o seu fantasma por se desenvolverem patologias devido à toxicidade dos medicamentos. Deixei de pensar na morte devido à falência do sistema imunitário e ao desenvolvimento de doenças oportunistas e comecei a pensar nela devido à destruição do fígado, dos rins e do risco de doenças cardio vasculares.
O certo é que nada é como era antes, e embora seja moda dizer-se que a SIDA deixou de matar isso é apenas para tranquilizar as mentes dos menos atentos.
Brinca-se um pouco com os horários das tomas dos medicamentos, pois o conhecimento acerca da semi vida dos mesmos e da sua concentração no sangue permite-nos isso. Chega-se mesmo ao ponto, a depois de um concerto de rock se tomarem os medicamentos com cerveja(pudera não existe outro liquido disponível), mas tudo bem. Enfim uma doença crónica, que tecnicamente não o é, e que mais parece uma bomba com um mecanismo retardador que lhe dá o aspecto de uma bola inofensiva, mas cujo conteúdo está pronto para explodir quando por qualquer motivo o detonador actuar.
É um pouco como a historinha do brincar na floresta enquanto o lobo não está, que alegravam as nossas brincadeiras de criança. O lobo ia respondendo às nossas perguntas dizendo que peça de roupa estava vestindo, até estar pronto para metaforicamente nos atacar.
Só que aqui, nesta história real, quando os indicadores revelam a resistência do vírus aos medicamentos, por vezes não há lugar para onde fugir.
A esperança no aparecimento da cura vai-se desvanecendo, a cada dia que passa. A obsessão compulsiva de ir a congressos e mais congressos e a esperança que renasce após cada um deles, quando nos falam de uma vacina ou de um novo medicamento extremamente promissor, desaparece pouco tempo depois quando de um momento para o outro sabemos que a investigação parou e que por qualquer motivo foi mais um fiasco da investigação.
O engraçado no meio disto tudo, é que se me perguntarem o que me dói eu forçosamente terei de dizer nada, exceptuando claro está as dores provocadas pelos enfartes sucessivos que tenho tido e cuja origem é desconhecida não se sabendo se é do próprio vírus ou da medicação para o controlo do mesmo, e aqui entram as teses e os estudos feitos e o culpado nunca é revelado com certeza absoluta.
Para além disso poderei dizer que me dói a alma, não só por mim mas por todos aqueles que estão infectados, e por aqueles que em breve passarão a estar porque a mensagem dos perigos da SIDA não foi passada e ela só acontece aos outros.
Não tenho medo da morte e sei que um dia sem data nem hora marcada nos vamos encontrar. É o destino de todos os seres humanos e não é o HIV que vem modificar esta lei da natureza.
O futuro é o presente vivido hora a hora o mais intensamente possível. Enquanto esteve a ler este texto quantos sem esperar tiveram o seu encontro com a morte. Vida e Sida são palavras quase iguais diferenciando-se apenas na primeira letra. Curiosamente a primeira começa com uma letra que parece uma seta indicadora, que aponta para baixo ou seja para a sepultura. A segunda palavra, associada à morte começa com uma letra que parece um sinal de trânsito que indica curvas e contra curvas.
É por essa estrada que eu sigo contornando as curvas enquanto puder.
Viva a vida e faça o favor de ser feliz.
Justiça em Coma

“Quando consegui chegar mais perto, vi Flavia de olhos fechados, imóvel, roxinha. Comecei a repetir para mim mesma:- Não há de ser nada, não há de ser nada...não há de ser nada....”
Passaram-se mais de 10 anos, e Flavia continua viva em Coma Vigil.
Uma longa batalha judicial está sendo travada, para apurar responsabilidades e para que seja feita justiça. O Coma de Flavia é irreversível segundo os especialistas médicos. O Coma ou a letargia de que a justiça brasileira está doente em relação a este caso, esse pode ter cura se houver boa vontade por parte dos tribunais e daqueles que têm o poder judicial em suas mãos.
A vida de uma criança de dez anos, ficou suspensa naquele dia. Perdeu a escola, os amiguinhos de brincadeira, a sua preparação para a vida e tudo o que de bom a vida humana tem na infância e adolescência. Essa menina desapareceu e não existe mais. Hoje existe uma cidadã, de vinte anos impedida de viver a sua própria vida autonomamente, devido a uma incapacidade causada pela negligência dos homens, (quando ainda era criança) num acidente que poderia e deveria ter sido evitado se houvesse leis e uma fiscalização eficaz no licenciamento de locais de lazer, que supostamente são para as pessoas se divertirem, mas que mais parecem um campo minado onde a cada passo espreita o perigo.
Num estado de direito e democrático, como pensamos que o Brasil seja, na impossibilidade de reparar os danos causados a Flavia, a justiça deveria actuar obrigando os culpados a indemnizar a vítima, para que ela possa ter os cuidados de saúde e a melhor qualidade de vida possível face à incapacidade que sofre. Não o fazendo, está a culpabilizar a vítima e a proteger aqueles que irresponsavelmente colocam no mercado bens de consumo perigosos para o utilizador, e cujo objectivo é o lucro fácil esquecendo-se que a vida de qualquer ser humano é o bem mais precioso que alguém pode ter.
Não vamos esperar um final feliz para este caso, já que isso não é possível devido aos gravosos danos sofridos por Flavia. Vamos esperar sim um fim rápido, e que a justiça no mínimo confira à vida humana a dignidade que ela merece.
Flavia, é apenas um caso entre tantos que aconteceram e continuam a acontecer. Quantas mais crianças terão de morrer ou ficar em coma, para que se encontrem soluções, haja fiscalização e sejam atribuídas responsabilidades aos culpados por estes dramas?
"Quem não castiga o mal ordena que ele se faça."
"Vestindo a SIDA" Campanha de Prevenção









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Há muito que os médicos dizem, que pessoas que tenham contactos acidentais com o vírus se tomarem até 72 horas depois desse contacto a terapia PEP, (Profilaxia pós exposição) estão livres de ser infectados pelo vírus.
Habituado a ouvir tanta asneira, e à ignorância sobre o HIV de “Alguns” médicos, que fazem asneira atrás de asneira em prescrições de medicamentos a doentes infectados pelo HIV, que tomam certos tipos de retrovirais atrevo-me a dar a minha opinião de leigo, baseada no estudo que tenho feito ao longo de perto de doze anos sobre a sida e medicamentos utilizados no seu tratamento.
Aqui caso os médicos digam o contrário, estão a contradizer-se em relação à profilaxia PEP, pois irão tomar os seus medicamentos, mesmo considerando tomas QD (1 vez dia) antes de 24 horas, ou se os tiverem tomado há pouco tempo, as concentrações do medicamento no sangue actuam como profilaxia PREP (Pré exposição). Outra contradição será a da declaração suíça, que vem reforçar a não necessidade do uso do preservativo.
Também não, ou de outra forma andam a brincar connosco mentindo-nos.
A culpa numa transmissão sexual, não pode ser atribuída única e exclusivamente às pessoas infectadas, pois todos os não infectados sabem ou deveriam saber que o único meio seguro de evitar a transmissão do vírus é usando o preservativo. Essa informação está mais do que divulgada, e devido à actual escassez de campanhas de prevenção aconselhando o uso do preservativo, parece ser a opinião acreditada dos responsáveis governamentais nessa área.
Sol Nascente

há muito em busto gélido e in.sensível
este Sol que exalta o tempo oculto no vazio
que não sente, porque há muito já sentiu
a efemeridade sempre perto e verosímil
E este Sol que alcança a Alma em tom maior
que agita o som em magistral alarido
impele a vida rumo a todo e qualquer sentido
mesmo que tudo isso possa ser proíbido
porque ausente a Alma, o corpo não tem sabor
E este Sol iluminura da mediana idade
que governa a Alma em perfeita composição
este Sol patenteia o que já foi saudade
estará presente até à eternidade
sob a figura de arrebatar a Alma à imensidão
O Suicídio
Não poderemos falar de suicídio sem falarmos da realidade sociológica que lhe está subjacente.
Nesta perspectiva ganha toda a pertinência o estudos realizados pelo sociólogo Emile Durkheim (1897) que, pese embora os anos decorridos, continuam a ser pertinentes.
Segundo Durkheim o suicídio não seria um acto individual na medida em que é a sociedade que determina, com as suas regras e constrangimentos, a necessidade de alguém decidir morrer.
Nesta perspectiva Durkheim identifica quatro tipos de suicídio:
Sem querer tornar-me exaustiva a aprofundar um tema que tem várias visões e vertentes de análise, detenho-me apenas na base sociológica que remete para a sociedade a responsabilidade pelos suicídios dadas as regularidades das suas ocorrências em diversos países e em pessoas nas mesmas circunstâncias.
Existe pois uma propensão generalizada, com maior ou menor aderência dadas características individuais, para que o indivíduo que aparentemente decide sobre algo tão amargo e solitário como tirar a si próprio a vida, na realidade não o faça sozinho.
Muitos são os indivíduos que ao terem conhecimento de que são portadores do HIV optam pelo suicídio. E optam por esse suicídio com medo das sanções sociais, das perdas afectivas, do isolamento e da incapacidade de lutar e de se sentirem úteis. Ou seja, o indivíduo sente-se esmagado pela sociedade que lhe aponta o dedo e que ele se sente demasiado fragilizado para enfrentar.
A morte de quem desiste – seja quem for - deverá pois pesar em todas as consciências que não souberam escutar, amar, entender e ajudar a caminhar.
Muitas pessoas, sob uma qualquer ameaça da sua integridade, desenvolvem valências antes inimagináveis e são um desafio que muito nos estimula e fortalece. Elas contribuem mais intensamente, e melhor, para um património comum de conhecimento e trabalho meritório através do apuramento de capacidades adormecidas.
Seja qual for a causa do suicídio, mesmo em situações de desesperança com receio do sofrimento físico, ninguém deve estar sozinho no momento de se despedir da vida, nem a sociedade deve ser alheia ao que individualmente lhe acontece.
Texto de: Lídia Soares
Pensando na morte, olhando para a vida

A vontade de viver parece ser predominante nos comentários, mesmo em pessoas que têm uma vida sofrida e se acham tremendamente infelizes. A morte pensada por aqueles que estão bem e acham que numa situação desesperada a desejariam e mostraram ser a favor da eutanásia não é convincente. Já o testemunho de pessoas que viram em agonia entes queridos que pouco tempo antes de morrer desejavam viver, mesmo estando em grande sofrimento, parece ter mais peso.
Um cunhado meu, em conversa que tive com ele nos momentos em que estava lúcido, ligado ao doseador de morfina, respondeu-me à pergunta que lhe fiz se tinha medo de morrer, que não, mas mostrava-se preocupado com uma filha que estava a entrar na adolescência e que precisava dele para sobreviver. Para o tranquilizar disse-lhe, que enquanto houvesse um prato de sopa para os meus filhos também haveria para a filha dele. Apertou-me o braço como se estivesse a passar o testemunho, e o seu rosto transmitia uma paz e uma serenidade que nunca antes eu tinha visto. Morreu algumas horas depois.
O meu pai, homem duro e cuja fé sempre foi de porta de igreja, indo sempre à saída da missa para ver as beldades que lá iam e depois trazer a minha mãe de volta a casa, quando se apercebeu que a morte estava próxima, tinha longas conversas comigo querendo que eu lhe explicasse como era essa coisa da alma e para onde ia, algo que nunca consegui explicar-lhe convincentemente pois também eu não sabia. Valia-me dos ensinamentos da igreja quando era criança nos quais nunca acreditei, mas ele não era parvo e apercebia-se que eu estava com conversa de treta falando sobre algo em que não acreditava. Nos últimos dias de vida deixou de se preocupar com ele e passou a preocupar-se com a minha mãe, sua companheira de mais de cinquenta anos de vida em comum, querendo assegurar o seu futuro enquanto ela por cá estivesse. Teve uma agonia prolongada de muitas horas e só partiu quando eu cheguei e lhe dei um beijo. Morreu alguns minutos depois de eu chegar. Com a ajuda de umas vizinhas dei-lhe o último banho, e vesti-lhe o fato que levaria para a cova. Ia dando os braços e as pernas, como se estivesse ajudando a ser vestido para a última cerimónia em que iria participar. Antes era extremamente difícil movimentá-lo, pois as escaras causavam-lhe dores terríveis mesmo com todos os cuidados. Vim para a rua olhando para o céu como que a procurar o local onde ele estaria não o encontrando. Hoje sei onde ele está, e continua vivo e assim continuará em mim até eu partir. É o meu conforto nas horas de amargura.
Interrompi o texto por um bocado, pois como devem compreender é penoso para mim falar desta vivencia que não obstante já terem passado perto de quinze anos continua bem viva dentro de mim.
Voltando ao tema da eutanásia, há pontos a considerar sobre a mesma, focando em especial a decisão a tomar por um ente querido, que na impossibilidade do doente terminal poder revelar o seu desejo de morrer, tem de decidir sozinho ou em conjunto com outros familiares a cessação da vida, quer autorizando o desligar da maquinaria de suporte da mesma, quer pedindo a administração de drogas letais que provoquem a morte sem sofrimento. Espero nunca vir a estar numa situação dessas. Facilitando a vida a pessoas que eu amo e um dia poderão enfrentar essa mesma situação em relação a mim, digo que o meu desejo seria a morte nessas condições. Posso estar mentindo mas penso que procedendo desta forma os estou a ajudar a decidirem, para que em suas consciências possam sempre dizer: -Era o desejo dele.
A morte e o sofrimento é o que menos desejamos mas é necessário estarmos preparados, porque é impensável fugir dela porque de uma forma ou de outra um dia vai acontecer a todos os seres vivos.
Continuarei a abordar este tema com mais ou menos regularidade, não porque goste de o fazer, mas porque acho essencial de quando em vez reflectirmos sobre o mesmo.
Retorno incorpóreo

Renascido das trevas, a luz impôs a presença
e patenteia o caminho que perpetua o existir.
Ele está aqui
agora com mais pedras, que guardarei todas
para construir um castelo
rememorando o poeta.
Aos poucos o dia alcançou a força exposta em resumo para não mais terminar.
O tempo transporta horas apressadas
ao ritmo de outrora
e revela a vida
no despertar quotidiano,
Aos poucos o futuro é novamente abstracto, sem horizonte.
Imprescindível na mente
Onde o que foi ausente
agora é defronte,
permanente e presente.
Aos poucos o sorriso sustenta o sonho que conduz a essência ao peito.
Confesso-me grato ao efémero
que oculto cegou o resguardo
e o respeito por mim
que agora recupero aos poucos
à integridade,
socorro o corpo sem corpo,
e a alma




