A Meditação retarda a SIDA


Um estudo recente concluíu que a meditação eleva a contagem de células T CD4 em portadores do vírus da imunodeficiência humana.

A investigação foi efectuada com a participação de 67 adultos VIH positivos, que declararam ter um ritmo de vida muito stressante. Deste universo, cerca de 30% encontram-se sob terapia antiretroviral. 48 voluntários participaram parcialmente ou na totalidade de um programa de diminuição de stress, denominado "Meditação Mente Completa", definido como a prática de uma percepção aberta e receptiva do momento presente, evitando o pensamento no passado e a premeditação do futuro, como uma preocupação constante e obsessiva.

As contagens de células T CD4 foram efectuadas antes e após dois meses da conclusão do programa. Nos 48 voluntários que participaram na prática da meditação, ocorreu um aumento significativo das células T CD4, face aos restantes participantes.

O treino anti-stress através da meditação pode ter um impacto directo no atraso da progressão do VIH, mesmo quando este se encontra controlado face ao uso da terapêutica antiretroviral (HAART). O stress tem efeitos directos na carga viral, pelo que, o seu controle permite melhorar a qualidade de vida dos portadores.

Este estudo, publicado no jornal "Brain, Behavior and Immunity", sugere a prática da meditação como um tratamento complementar poderoso para o VIH, em conjunto com os fármacos utilizados na supressão vírica.

Viver um dia de cada vez, sem encontrar no passado a culpa e o arrependimento constante pela realidade presente, evitando olhar o futuro como sinónimo de sofrimento, agonia e morte, contribuirá decerto para atrasar significativamente a progressão para o estádio de SIDA, recuperando e mantendo o sistema imunitário, viabilizando a defesa natural das infecções oportunistas.

O sistema nervoso actua directamente no complicado mecanismo que nos defende das agressões a que diariamente estamos sujeitos, pelo que, o cumprimento de uma vida saudável, assente na felicidade traçada a partir de todos os momentos, em que a paz seja uma constante, evitando o stress e os pensamentos que fomentem o aumento da tensão, poderão constituir uma terapia complementar a esta patologia, conquistando tempo com qualidade, ao tempo que dispomos para viver, que se acrescenta a cada dia que passa.

Doze anos mais tarde


A caminho dos doze anos de infecção pelo HIV, a SIDA certamente já não é o que era.
Mudam-se os tempos mudam-se os pensares, e aqueles medos e receios que na altura da infecção são comuns à maior parte dos infectados desapareceram.
Contudo, não poderei dizer que o HIV e a SIDA se varreram da minha cabeça e que apenas penso nisso na altura das tomas dos medicamentos e nas vezes que vou ao hospital às consultas e tirar sangue para as análises.
Se por um lado os medos iniciais da morte a curto prazo e do grande sofrimento pelo qual iria passar até que ela viesse tivessem desaparecido, por outro lado nasceram outros medos e houve um despertar da consciencialização da doença. O conhecimento adquirido acerca da mesma e das terapias que mantêm o vírus controlado como se estivesse adormecido, aviva o seu fantasma por se desenvolverem patologias devido à toxicidade dos medicamentos. Deixei de pensar na morte devido à falência do sistema imunitário e ao desenvolvimento de doenças oportunistas e comecei a pensar nela devido à destruição do fígado, dos rins e do risco de doenças cardio vasculares.
O certo é que nada é como era antes, e embora seja moda dizer-se que a SIDA deixou de matar isso é apenas para tranquilizar as mentes dos menos atentos.
Brinca-se um pouco com os horários das tomas dos medicamentos, pois o conhecimento acerca da semi vida dos mesmos e da sua concentração no sangue permite-nos isso. Chega-se mesmo ao ponto, a depois de um concerto de rock se tomarem os medicamentos com cerveja(pudera não existe outro liquido disponível), mas tudo bem. Enfim uma doença crónica, que tecnicamente não o é, e que mais parece uma bomba com um mecanismo retardador que lhe dá o aspecto de uma bola inofensiva, mas cujo conteúdo está pronto para explodir quando por qualquer motivo o detonador actuar.
É um pouco como a historinha do brincar na floresta enquanto o lobo não está, que alegravam as nossas brincadeiras de criança. O lobo ia respondendo às nossas perguntas dizendo que peça de roupa estava vestindo, até estar pronto para metaforicamente nos atacar.
Só que aqui, nesta história real, quando os indicadores revelam a resistência do vírus aos medicamentos, por vezes não há lugar para onde fugir.
A esperança no aparecimento da cura vai-se desvanecendo, a cada dia que passa. A obsessão compulsiva de ir a congressos e mais congressos e a esperança que renasce após cada um deles, quando nos falam de uma vacina ou de um novo medicamento extremamente promissor, desaparece pouco tempo depois quando de um momento para o outro sabemos que a investigação parou e que por qualquer motivo foi mais um fiasco da investigação.
O engraçado no meio disto tudo, é que se me perguntarem o que me dói eu forçosamente terei de dizer nada, exceptuando claro está as dores provocadas pelos enfartes sucessivos que tenho tido e cuja origem é desconhecida não se sabendo se é do próprio vírus ou da medicação para o controlo do mesmo, e aqui entram as teses e os estudos feitos e o culpado nunca é revelado com certeza absoluta.
Para além disso poderei dizer que me dói a alma, não só por mim mas por todos aqueles que estão infectados, e por aqueles que em breve passarão a estar porque a mensagem dos perigos da SIDA não foi passada e ela só acontece aos outros.
Não tenho medo da morte e sei que um dia sem data nem hora marcada nos vamos encontrar. É o destino de todos os seres humanos e não é o HIV que vem modificar esta lei da natureza.
O futuro é o presente vivido hora a hora o mais intensamente possível. Enquanto esteve a ler este texto quantos sem esperar tiveram o seu encontro com a morte. Vida e Sida são palavras quase iguais diferenciando-se apenas na primeira letra. Curiosamente a primeira começa com uma letra que parece uma seta indicadora, que aponta para baixo ou seja para a sepultura. A segunda palavra, associada à morte começa com uma letra que parece um sinal de trânsito que indica curvas e contra curvas.
É por essa estrada que eu sigo contornando as curvas enquanto puder.
Viva a vida e faça o favor de ser feliz.

Justiça em Coma


S. Paulo-Brasil, 6 de Janeiro de 1998 – 18H30
“Quando consegui chegar mais perto, vi Flavia de olhos fechados, imóvel, roxinha. Comecei a repetir para mim mesma:- Não há de ser nada, não há de ser nada...não há de ser nada....”


Mas foi. Os cabelos de Flavia foram sugados pelo ralo da piscina, cujo sistema de sucção estava ligado e era sobre dimensionado para o tamanho da mesma.
Passaram-se mais de 10 anos, e Flavia continua viva em Coma Vigil.
Uma longa batalha judicial está sendo travada, para apurar responsabilidades e para que seja feita justiça. O Coma de Flavia é irreversível segundo os especialistas médicos. O Coma ou a letargia de que a justiça brasileira está doente em relação a este caso, esse pode ter cura se houver boa vontade por parte dos tribunais e daqueles que têm o poder judicial em suas mãos.
A vida de uma criança de dez anos, ficou suspensa naquele dia. Perdeu a escola, os amiguinhos de brincadeira, a sua preparação para a vida e tudo o que de bom a vida humana tem na infância e adolescência. Essa menina desapareceu e não existe mais. Hoje existe uma cidadã, de vinte anos impedida de viver a sua própria vida autonomamente, devido a uma incapacidade causada pela negligência dos homens, (quando ainda era criança) num acidente que poderia e deveria ter sido evitado se houvesse leis e uma fiscalização eficaz no licenciamento de locais de lazer, que supostamente são para as pessoas se divertirem, mas que mais parecem um campo minado onde a cada passo espreita o perigo.
Num estado de direito e democrático, como pensamos que o Brasil seja, na impossibilidade de reparar os danos causados a Flavia, a justiça deveria actuar obrigando os culpados a indemnizar a vítima, para que ela possa ter os cuidados de saúde e a melhor qualidade de vida possível face à incapacidade que sofre. Não o fazendo, está a culpabilizar a vítima e a proteger aqueles que irresponsavelmente colocam no mercado bens de consumo perigosos para o utilizador, e cujo objectivo é o lucro fácil esquecendo-se que a vida de qualquer ser humano é o bem mais precioso que alguém pode ter.
Não vamos esperar um final feliz para este caso, já que isso não é possível devido aos gravosos danos sofridos por Flavia. Vamos esperar sim um fim rápido, e que a justiça no mínimo confira à vida humana a dignidade que ela merece.
Flavia, é apenas um caso entre tantos que aconteceram e continuam a acontecer. Quantas mais crianças terão de morrer ou ficar em coma, para que se encontrem soluções, haja fiscalização e sejam atribuídas responsabilidades aos culpados por estes dramas?

"Quem não castiga o mal ordena que ele se faça."

Leonardo da Vinci

"Vestindo a SIDA" Campanha de Prevenção

É importante divulgarmos que a SIDA existe, e alertarmos o mundo que só usando o preservativo poderemos travar o alastramento da pandemia.

Vestir uma T-Shirt, alusiva ao facto é uma das formas de o fazer. Todos temos o dever de participar nesta missão, porque nunca é demais lembrar que o preservativo é a arma mais eficaz no combate a esta Pandemia que já ceifou milhões de vidas.

Temos orgulho em apresentar a nossa primeira colecção alusiva à prevenção da infecção pelo HIV, constituida por 10 T-Shirts diferentes. Esta campanha é feita em parceria com a firma "DREAM STUDIO", que apoia o nosso projecto.

Se o nosso leitor tiver uma ideia e desejar personalizar uma camisola a seu gosto, poderá fazê-lo, pois as T-Shirts da campanha, poderão ser desenhadas pelos leitores.

O importante é divulgar a "SIDA" e fazer-nos pensar a cada momento que ela existe e é preciso estarmos atentos para que não nos bata à porta.

Usar uma T-Shirt sobre SIDA não é vergonha, mas sim um acto de amor ao próximo. Para além do mais as camisolas são lindissimas e estão na moda.

Eis a nossa colecção:










Os nossos leitores podem adquirir estas camisolas, escolhendo o tamanho, modelo e cores através do Telefone: 213 862 365 , ou enviando e-mail para geral@dreamstudio.pt .
Para além destes modelos, cada leitor poderá desenhar uma T-Shirt e mandá-la fabricar.
Se o numero de criações, por parte dos leitores for relevante, iremos fazer uma mostra com T-shirts desenhadas pelos nossos amigos, colocando nessa mostra o nome dos seus autores.
Não haverá prémios para os melhores desenhos, mas certamente para todos o maior prémio será participar com as suas ideias em algo inédito em matéria de prevenção contra a SIDA, que com a colaboração do todos poderá ter impacto na nossa sociedade, desatenta e muitas vezes distraida da realidade à sua volta.
Um Abraço e não deixe de participar. "Vista a sua imaginação" ajudando.

Usar o preservativo entre infectados, sim ou não?


Usar ou não usar o preservativo, entre casais seropositivos com relações estáveis eis a questão. E não usar preservativo entre casais serodiscordantes, em que um dos elementos não está infectado pelo HIV ?

O preservativo ajuda muita gente, não só na prevenção da transmissão do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, mas também na cura da ejaculação precoce o que não é falado pois isso levaria ao reconhecimento de que é uma barreira ao prazer e que é mais difícil obter um orgasmo usando-o. Está mal concebido, aproveitaram algo já descoberto utilizado primariamente como método anticoncepcional e já teria desaparecido há muito, não fosse o advento da Sida e de outras DSTs e a sua comprovada eficácia como barreira a que estas infecções se propagassem ainda mais. Mas vamos esquecer o preservativo, pois o ponto focal deste texto, é não o usar e os perigos que daí podem vir quando um dos intervenientes na relação sexual ,ou ambos estão infectados pelo HIV.
Considerando que ambos os elementos do casal estão infectados, os médicos dizem que se não se usar preservativo um ou ambos os parceiros serão reinfectados com outra estirpe viral, e que vai facilitar o desenvolvimento da doença para o estado de SIDA.

Agora depois da conferência mundial sobre a SIDA, cientistas de renome mundial dizem que doentes com cargas virais indetectáveis por períodos superiores a seis meses não infectam outras pessoas.
Há muito que os médicos dizem, que pessoas que tenham contactos acidentais com o vírus se tomarem até 72 horas depois desse contacto a terapia PEP, (Profilaxia pós exposição) estão livres de ser infectados pelo vírus.

Habituado a ouvir tanta asneira, e à ignorância sobre o HIV de “Alguns” médicos, que fazem asneira atrás de asneira em prescrições de medicamentos a doentes infectados pelo HIV, que tomam certos tipos de retrovirais atrevo-me a dar a minha opinião de leigo, baseada no estudo que tenho feito ao longo de perto de doze anos sobre a sida e medicamentos utilizados no seu tratamento.

Um casal em que ambos estejam infectados, que tenham as cargas virais controladas e que tomem a mesma medicação, porque razão deverão usar preservativo?
Aqui caso os médicos digam o contrário, estão a contradizer-se em relação à profilaxia PEP, pois irão tomar os seus medicamentos, mesmo considerando tomas QD (1 vez dia) antes de 24 horas, ou se os tiverem tomado há pouco tempo, as concentrações do medicamento no sangue actuam como profilaxia PREP (Pré exposição). Outra contradição será a da declaração suíça, que vem reforçar a não necessidade do uso do preservativo.

No caso de um dos membros do casal ser negativo ao VIH, e caso o elemento infectado tiver uma carga viral abaixo das 50 cópias por ml. , numa relação estável entra a tese e os estudos feitos pelos cientistas suíços e não só, portanto será que aqui é necessário usar o preservativo?
Também não, ou de outra forma andam a brincar connosco mentindo-nos.

Os seropositivos para o HIV, têm os mesmos direitos e obrigações que os outros cidadãos não infectados. Face aos avanços da ciência e aos conhecimentos adquiridos em relação à transmissão do HIV, os seropositivos não constituem um perigo para a sociedade, nem são armas letais quando têm relações sexuais com essa mesma sociedade na qual estão inseridos (quando essa sociedade desconhece o seu estado serológico, a maior parte das vezes). Têm o direito de procriar, amar e ser amados como qualquer ser humano. Não usarem o preservativo nas suas relações conjugais é um desses direitos, e face ao reconhecimento pela ciência da não perigosidade de transmissão para o cônjuge, se assim entenderem e de comum acordo porque não o fazer?

Não obstante o acima citado, e considerando o preservativo como um meio eficaz para evitar a transmissão do VIH via sexual, a responsabilidade do mesmo ser usado em relações sexuais ocasionais é de qualquer um dos intervenientes nessa relação seja ele seropositivo ou não.
A culpa numa transmissão sexual, não pode ser atribuída única e exclusivamente às pessoas infectadas, pois todos os não infectados sabem ou deveriam saber que o único meio seguro de evitar a transmissão do vírus é usando o preservativo. Essa informação está mais do que divulgada, e devido à actual escassez de campanhas de prevenção aconselhando o uso do preservativo, parece ser a opinião acreditada dos responsáveis governamentais nessa área.

Pelo sim e pelo não, use o preservativo é o que eu posso dizer ou aconselhar a todos. Fidelidade conjugal é utopia. Há mar e mar, há ir e voltar. Na realidade ficar-se infectado é muito chato e não há retorno depois de a infecção acontecer.

Complementos ao Texto:
Rato


Especialistas suíços emitiram pela primeira vez um documento de consenso afirmando que as pessoas seropositivas sob tratamento anti-retroviral eficaz e sem outras infecções de transmissão sexual (ISTs) não transmitem sexualmente o vírus da imunodeficiência humana. Esta declaração foi publicada no Bulletin of Swiss Medicine (Boletim Médico Suíço). O documento discute igualmente as implicações no que se refere aos médicos, às pessoas seropositivas, na prevenção e no sistema judicial.

A declaração apresentada em nome da Comissão Federal Suíça para a infecção pelo VIH/SIDA, é da autoria de 4 dos mais reconhecidos especialistas em VIH: Prof. Pietro vernazza, do Hospital Cantonal de St. Gallen e Presidente da Comissão Federal Suíça para o VIH/SIDA; Prof. Bernard Hirschel do Hospital Universitário de Genéva; Dr. Enos Bernasconi do Hospital Regional de Lugarno e o Dr. Markus Flepp, Presidente do sub-comité para os aspectos clínicos e terapêuticos da infecção pelo VIH/SIDA da Comissão Federal Suíça de Saúde Pública.

Na declaração destaca-se a seguinte afirmação “após a revisão da literatura médica e extensiva discussão” a Comissão Federal Suíça para a infecção pelo VIH/SIDA concluí que “uma pessoas seropositiva sob tratamento anti-retroviral, com completa supressão viral (terapêutica eficaz) não é sexualmente infecciosa, ou seja, não transmite sexualmente o VIH.”

No documento é explicitado que tal facto se aplica:

• Se a pessoa seropositiva adere à terapia anti-retroviral,sendo que a adesão deve ser avaliada regularmente pelo seu médico
• Se a carga viral se mantém suprimida , por um período de pelo menos 6 mese.
• Se não co-existem outras infecções de transmissão sexual

O artigo começa por declarar que a Comissão “reconhece que os dados médicos e biológicos disponíveis não permitem provar que a infecção pelo VIH sob terapêutica anti-retroviral eficaz é impossível, uma vez que a não ocorrência de um facto improvável não pode ser provada. Se, por exemplo, a transmissão não ocorreu em 100 casais observados durante dois anos, tal não quer dizer que se 10.000 casais fossem observados durante 10 anos, isso não viesse a acontecer. A situação é análoga à ocorrida em 1986, quando se declarou que “o VIH não se transmite pelo beijo”. Esta conclusão também não foi provada, mas após 20 anos de experiência a sua fiabilidade é altamente plausível.”

Refere ainda que a evidência que levou a Comissão à declaração sobre a relação entre o tratamento e a transmissão do VIH baseia-se num conhecimento muito mais vasto do que o que existia quando em 1986 se declarou que o VIH não se transmitia pelo beijo.

Citam, por exemplo, Quinn e colegas que concluíram que nos casais serodiscordantes o risco de transmissão depende da carga viral do parceiro seropositivo e referem igualmente um estudo prospectivo de Castillla e colaboradores, que incluiu 393 casais heterossexuais serodiscordantes. No referido estudo não se verificaram infecções nos parceiros de pessoas seropositivas sob medicação anti-retroviral, em comparação com uma transmissão de 8,6% entre parceiros de pessoas não tratadas. Referem igualmente que a transmissão mãe-filho também depende da carga viral da mãe e que tal pode ser evitado tratando a mãe.

Prosseguem referindo que a terapêutica anti-retroviral eficaz elimina o VIH nas secreções genitais. Afirmam que a carga viral do VIH, medida no esperma, declina para níveis indetectáveis na presença de terapêutica anti-retroviral e que a carga viral também é indetectável nas secreções genitais femininas, em regra, sob esta medicação. “Em regra”, referem, “aumenta após, e não antes, do aumento da carga viral no sangue”.

Também afirmam que embora existam células associadas ao genoma viral nas secreções genitais, mesmo sob terapêutica anti-retroviral, tal não se traduz em infecciosidade uma vez que “estas células não têm marcadores de proliferação viral tais como LTR-DNA circular”.

Prosseguem, afirmando, que a concentração do RNA do VIH no esperma se correlaciona com o risco de transmissão e que “o risco de transmissão declina para zero, quando não existe carga viral no esperma”. Estes dados indicam que o risco de transmissão decresce grandemente na presença de terapêutica anti-retroviral”.

Acrescentam, contudo, várias excepções e dificuldades ao que acima é referido:

• Após alguns dias ou semanas de interrupção da terapêutica anti-retroviral a carga viral no sangue aumenta rapidamente. Existe, pelo menos, um caso reportado de transmissão durante este período.
• Nos doentes que não estão sob terapêutica anti-retroviral, as ISTs, tais como, uretrite ou outra doença ulcerativa genital, aumentam a carga viral nas secreções genitais, descendo esta após o tratamento da infecção de transmissão sexual.
• Num doente com uretrite, a carga viral no esperma pode aumentar ligeiramente mesmo sob terapêutica anti-retroviral eficaz. Este aumento é pequeno e muito inferior ao que se observa nos doentes que não estão a fazer terapêutica.
Os autores concluem a parte cientifica do artigo referindo que “Sob terapêutica anti-retroviral eficaz, não é possível detectar partículas virais no sangue ou nas secreções genitais. Os dados epidemiológicos e biológicos indicam que sob a acção da terapêutica anti-retroviral, não existe risco relevante de transmissão. Um risco residual não pode ser cientificamente excluído, mas segundo a Comissão é negligenciável”.

Implicações Médicas

A Comissão prossegue discutindo as implicações do documento da relação médico-doente. Afirma que “a informação tem como objectivo comunicar aos médicos os critérios que lhes permitem estabelecer se um determinado doente pode ou não transmitir o VIH sexualmente.

O VIH não se transmite sexualmente se:

• Uma pessoa seropositiva adere à medicação anti-retroviral prescrita de forma consistente e é seguida regularmente pelo seu/sua médico/a
• A carga viral é indetectável e permanece como tal por um período de pelo menos 6 meses.
• A pessoa seropositiva não apresenta outras ISTs”.

Implicações para os doentes

A Comissão afirma que um seropositivo numa relação estável com um/a parceiro/a seronegativo/a, que adere à terapêutica anti-retroviral prescrita de forma consistente e que não é portador/a de outra IST não “expõe o parceiro/a a risco de transmissão sexual”.
“Os casais devem compreender”, escrevem os autores, “que a adesão deve ser omnipresente na relação quando decidem não usar protecção, e que devido à importância de outras ISTs, as regras dos contactos fora da relação devem ser definidas”.
“O mesmo se aplica a quem não se encontra numa relação estável”, acrescentam os autores. Contudo e devido à importância das ISTs, o uso de preservativo continua a ser recomendável.

Realçam que as mulheres seropositivas deverão ter em conta eventuais interacções entre os medicamentos contraceptivos e os medicamentos anti-retrovirais, quando decidirem deixar de usar preservativos.

Consideram igualmente que a inseminação com lavagem de esperma deixa de estar indicada quando “o tratamento anti-retroviral é eficaz”.

Implicações na prevenção

A comissão afirma que “actualmente, não recomenda o inicio do tratamento anti-retroviral puramente por razões preventivas”. Para além dos custos envolvidos, argumentam que não é certo que as pessoas seropositivas para o VIH possam estar suficientemente motivadas para aderir ao tratamento a longo prazo, sem que existam indicações médicas para tal. Reforçam que a fraca adesão à terapêutica facilita o desenvolvimento de resistências e que, como tal, a terapêutica anti-retroviral como prevenção está indicada apenas em “circunstâncias excepcionais para doentes altamente motivados”.
A Comissão afirma ainda que a declaração não deve implicar mudanças nas estratégias de prevenção actualmente em uso na Suíça. À excepção dos casais estáveis em que se prova existir uma eficácia da terapêutica anti-retroviral, as medidas de protecção devem ser tomadas em todas as circunstâncias. “As pessoas que não têm uma relação estável devem proteger-se”, referem os autores, “uma vez que não podem verificar se o/a parceiro/a é seropositivo/a ou está sob terapêutica anti-retroviral eficaz”.

Implicações legais

Para concluir, a Comissão afirma que os tribunais deverão ter em consideração o facto de que as pessoas seropositivas sob terapêutica anti-retroviral e sem outras ISTs, não transmitem por via sexual o VIH, nos casos de exposição e transmissão criminosa.
Concluem, afirmando que a Comissão considera que as relações sexuais não protegidas entre uma pessoa seropositiva sob tratamento anti-retroviral eficaz e sem outras iSTs e uma pessoa seronegativa para o VIH, não cumprem o critério de “tentativa de propagação de doença perigosa” de acordo com o artigo 231 do código penal Suíço, nem com a “tentativa de provocar grave dano corporal”, de acordo com os artigos 122, 123 e 125.






Sol Nascente


E este Sol que aquenta o corpo frio
há muito em busto gélido e in.sensível
este Sol que exalta o tempo oculto no vazio
que não sente, porque há muito já sentiu
a efemeridade sempre perto e verosímil

E este Sol que alcança a Alma em tom maior
que agita o som em magistral alarido
impele a vida rumo a todo e qualquer sentido
mesmo que tudo isso possa ser proíbido
porque ausente a Alma, o corpo não tem sabor

E este Sol iluminura da mediana idade
que governa a Alma em perfeita composição
este Sol patenteia o que já foi saudade
estará presente até à eternidade
sob a figura de arrebatar a Alma à imensidão

O Suicídio




"O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia" – Albert Camus

Não poderemos falar de suicídio sem falarmos da realidade sociológica que lhe está subjacente.
Nesta perspectiva ganha toda a pertinência o estudos realizados pelo sociólogo Emile Durkheim (1897) que, pese embora os anos decorridos, continuam a ser pertinentes.
Segundo Durkheim o suicídio não seria um acto individual na medida em que é a sociedade que determina, com as suas regras e constrangimentos, a necessidade de alguém decidir morrer.

Nesta perspectiva Durkheim identifica quatro tipos de suicídio:


  • O suicídio egoísta em que sendo fracos os laços entre o indivíduo e os outros, nada impede o indivíduo de terminar a vida em momento de desespero.
  • O suicídio altruísta em que o indivíduo estando extremamente ligado à sociedade acaba por não ter vida própria (exs: kamikases, homens-bomba).
  • O suicídio por anomia que acontece quando as normas sociais e leis que governam a sociedade não correspondem aos objectivos de vida do indivíduo. Uma vez que o indivíduo não se identifica com as normas da sociedade, o suicídio passa a ser uma alternativa de escape.
  • O Suicídio fatalista em que a regulação social é completamente instilada no indivíduo; não há esperança de mudança contra a disciplina opressiva da sociedade. A única forma do indivíduo ficar livre de tal estado é cometer suicídio.
  • Sem querer tornar-me exaustiva a aprofundar um tema que tem várias visões e vertentes de análise, detenho-me apenas na base sociológica que remete para a sociedade a responsabilidade pelos suicídios dadas as regularidades das suas ocorrências em diversos países e em pessoas nas mesmas circunstâncias.
    Existe pois uma propensão generalizada, com maior ou menor aderência dadas características individuais, para que o indivíduo que aparentemente decide sobre algo tão amargo e solitário como tirar a si próprio a vida, na realidade não o faça sozinho.
    Muitos são os indivíduos que ao terem conhecimento de que são portadores do HIV optam pelo suicídio. E optam por esse suicídio com medo das sanções sociais, das perdas afectivas, do isolamento e da incapacidade de lutar e de se sentirem úteis. Ou seja, o indivíduo sente-se esmagado pela sociedade que lhe aponta o dedo e que ele se sente demasiado fragilizado para enfrentar.
    A morte de quem desiste – seja quem for - deverá pois pesar em todas as consciências que não souberam escutar, amar, entender e ajudar a caminhar.
    Muitas pessoas, sob uma qualquer ameaça da sua integridade, desenvolvem valências antes inimagináveis e são um desafio que muito nos estimula e fortalece. Elas contribuem mais intensamente, e melhor, para um património comum de conhecimento e trabalho meritório através do apuramento de capacidades adormecidas.
    Seja qual for a causa do suicídio, mesmo em situações de desesperança com receio do sofrimento físico, ninguém deve estar sozinho no momento de se despedir da vida, nem a sociedade deve ser alheia ao que individualmente lhe acontece.

    Texto de: Lídia Soares

    Pensando na morte, olhando para a vida


    Depois do excelente texto da Lidia, sobre a eutanásia e dos comentários deixados que embora não sejam em quantidade suficiente para se tirar uma amostra fidedigna, da qual possamos tirar conclusões, acho que podemos fazer uma reflexão sobre a vida e a morte.
    A vontade de viver parece ser predominante nos comentários, mesmo em pessoas que têm uma vida sofrida e se acham tremendamente infelizes. A morte pensada por aqueles que estão bem e acham que numa situação desesperada a desejariam e mostraram ser a favor da eutanásia não é convincente. Já o testemunho de pessoas que viram em agonia entes queridos que pouco tempo antes de morrer desejavam viver, mesmo estando em grande sofrimento, parece ter mais peso.
    Um cunhado meu, em conversa que tive com ele nos momentos em que estava lúcido, ligado ao doseador de morfina, respondeu-me à pergunta que lhe fiz se tinha medo de morrer, que não, mas mostrava-se preocupado com uma filha que estava a entrar na adolescência e que precisava dele para sobreviver. Para o tranquilizar disse-lhe, que enquanto houvesse um prato de sopa para os meus filhos também haveria para a filha dele. Apertou-me o braço como se estivesse a passar o testemunho, e o seu rosto transmitia uma paz e uma serenidade que nunca antes eu tinha visto. Morreu algumas horas depois.
    O meu pai, homem duro e cuja fé sempre foi de porta de igreja, indo sempre à saída da missa para ver as beldades que lá iam e depois trazer a minha mãe de volta a casa, quando se apercebeu que a morte estava próxima, tinha longas conversas comigo querendo que eu lhe explicasse como era essa coisa da alma e para onde ia, algo que nunca consegui explicar-lhe convincentemente pois também eu não sabia. Valia-me dos ensinamentos da igreja quando era criança nos quais nunca acreditei, mas ele não era parvo e apercebia-se que eu estava com conversa de treta falando sobre algo em que não acreditava. Nos últimos dias de vida deixou de se preocupar com ele e passou a preocupar-se com a minha mãe, sua companheira de mais de cinquenta anos de vida em comum, querendo assegurar o seu futuro enquanto ela por cá estivesse. Teve uma agonia prolongada de muitas horas e só partiu quando eu cheguei e lhe dei um beijo. Morreu alguns minutos depois de eu chegar. Com a ajuda de umas vizinhas dei-lhe o último banho, e vesti-lhe o fato que levaria para a cova. Ia dando os braços e as pernas, como se estivesse ajudando a ser vestido para a última cerimónia em que iria participar. Antes era extremamente difícil movimentá-lo, pois as escaras causavam-lhe dores terríveis mesmo com todos os cuidados. Vim para a rua olhando para o céu como que a procurar o local onde ele estaria não o encontrando. Hoje sei onde ele está, e continua vivo e assim continuará em mim até eu partir. É o meu conforto nas horas de amargura.
    Interrompi o texto por um bocado, pois como devem compreender é penoso para mim falar desta vivencia que não obstante já terem passado perto de quinze anos continua bem viva dentro de mim.
    Voltando ao tema da eutanásia, há pontos a considerar sobre a mesma, focando em especial a decisão a tomar por um ente querido, que na impossibilidade do doente terminal poder revelar o seu desejo de morrer, tem de decidir sozinho ou em conjunto com outros familiares a cessação da vida, quer autorizando o desligar da maquinaria de suporte da mesma, quer pedindo a administração de drogas letais que provoquem a morte sem sofrimento. Espero nunca vir a estar numa situação dessas. Facilitando a vida a pessoas que eu amo e um dia poderão enfrentar essa mesma situação em relação a mim, digo que o meu desejo seria a morte nessas condições. Posso estar mentindo mas penso que procedendo desta forma os estou a ajudar a decidirem, para que em suas consciências possam sempre dizer: -Era o desejo dele.
    A morte e o sofrimento é o que menos desejamos mas é necessário estarmos preparados, porque é impensável fugir dela porque de uma forma ou de outra um dia vai acontecer a todos os seres vivos.
    Continuarei a abordar este tema com mais ou menos regularidade, não porque goste de o fazer, mas porque acho essencial de quando em vez reflectirmos sobre o mesmo.

    Retorno incorpóreo


    Aos poucos tudo voltou a fazer sentido.

    Renascido das trevas, a luz impôs a presença
    e patenteia o caminho que perpetua o existir.
    Ele está aqui
    agora com mais pedras, que guardarei todas
    para construir um castelo
    rememorando o poeta.

    Aos poucos o dia alcançou a força exposta em resumo para não mais terminar.

    O tempo transporta horas apressadas
    ao ritmo de outrora
    e revela a vida
    no despertar quotidiano,
    inevitável, imperativo.

    Aos poucos o futuro é novamente abstracto, sem horizonte.

    Imprescindível na mente
    Onde o que foi ausente
    agora é defronte,
    permanente e presente.

    Aos poucos o sorriso sustenta o sonho que conduz a essência ao peito.

    Confesso-me grato ao efémero
    que oculto cegou o resguardo
    e o respeito por mim
    que agora recupero aos poucos
    à integridade,
    socorro o corpo sem corpo,
    incorpóreo
    e a alma
    pode finalmente voar.

    Paulo, 2008

    chapeuZé Sidas diz: Tiro o chapéu ao teu poema. Parabéns

    Homossexualidade - o eterno dilema

    Assiste-se actualmente (?) a um emergir lento da identidade homossexual aos olhos do mundo, com as revelações de homens e mulheres supostamente rejeitados pela sociedade e pela Igreja devido às diferenças afectivas e sexuais. Após séculos de rejeição, destruição e intimidação, começam a soprar alguns ventos de liberdade.

    A importância da imagem no exercer de uma profissão, o querer enveredar pela vida religiosa torna-se incómoda para quem é homossexual. Numerosos gays e lésbicas ficam “marcados” nas suas vidas, devido à ignorância da Igreja e da sociedade. Esta exclusão é sem dúvida motivada pelo medo e pela ignorância. A Igreja católica não conhece a realidade humana e espiritual com que vivem os gays e lésbicas, aplicando os termos “vergonha”, “desonra” ou “relações anti-natura”. No entanto já se levantam comentários positivos por parte deste órgão como bem manifestam as palavras do Cardeal Patriarca D. José Policarpo sobre o assunto: “ Não sou contra a relação homossexual. Apenas defendemos o valor da família como célula nuclear”(sic).

    Na realidade, estes homens e mulheres, só recentemente se levantaram apesar das feridas já infligidas, e impõem a liberdade de amarem, da única maneira que conhecem. A exclusão de que são vitimas está igualmente relacionada com a ideia de que o homem foi criado como ser heterossexual e que a homossexualidade seria um desvio no plano da Criação, que muitos apelidam de “pecado” ou de “ doença”, termos defendidos por “terapeutas” homofobos que tentam a todo o custo mudar a orientação sexual pela terapia, oração ou se necessário, manter o celibato forçado excluindo qualquer forma de amor sexual. Ou seja, o mesmo que afirmar que a manifestação da sexualidade é um direito exclusivo dos heterossexuais. O Vaticano foi dos primeiros a lançar-se ao ataque alertando para a “propaganda enganosa” das chamadas “comunidades católicas gays” que punham em causa a interpretação das Sagradas Escrituras.

    Não imagino o dilema sofrido por inúmeros homens e mulheres ao descobrirem neles uma determinada orientação sexual sem que para tal tenha havido alguma influência na sua vida. Algo que nasceu neles sem explicação mas que tentam a custo mudar devido ao medo de ser vaiado pela sociedade. Mas mudar esta orientação inata é na realidade, tão fácil como mudar a cor natural dos olhos. Tentar transformar os homossexuais em heterossexuais acaba por provocar sofrimento e um resultado desastroso a nível psicológico e só serve para evitar o diálogo e a aceitação e fomentar a exclusão social. A própria família vê os seus valores abalados quando conhece a existência de um filho(a) homossexual. A vergonha leva os membros da família a controlar estreitamente as suas emoções impondo princípios demasiado rígidos e cuja regra absoluta é calar todo e qualquer assunto.

    Não há um partilhar de sentimentos nestas famílias. Uma criança ou adolescente neste meio que tenha tendências homossexuais experimenta uma vergonha e uma culpa quando sente que foge ao estereótipo da família com valores morais. É obrigado a esconder a sua verdadeira essência representando um papel falso e conformista para ser aceite na família. Esta, e a própria sociedade esquecem-se frequentemente que o ser homossexual também possui qualidades e dons que contribuem de forma positiva para o desenvolvimento da sociedade em que vivem.

    É claro que cada um mede o risco que a revelação da sua condição pode desencadear na sua vida. E avizinhando uma reacção negativa por parte das pessoas muitos optam por assumir sozinhos a guardar para si as pulsões secretas que os levam a querer alguém do mesmo sexo. A não-aceitação de si próprio leva a comportamentos mais desviantes do que se pensa. Enveredar pela bissexualidade é um deles. Os bissexuais ou ditos bissexuais engrossam as estatísticas e são cada vez em maior número. A questão é se se trata mesmo de um interesse por pessoas de ambos os sexos ou se é um meio de mascararem a sua verdadeira homossexualidade, escondendo-se no seio de uma família com filhos, com educação e valores e por outro lado, praticando uma vida dupla na qual existe uma pessoa do mesmo sexo envolvida. É um constante enganar a si próprio e à família que nele acredita.
    Abril 2006 / cedido por M.