Sol Nascente


E este Sol que aquenta o corpo frio
há muito em busto gélido e in.sensível
este Sol que exalta o tempo oculto no vazio
que não sente, porque há muito já sentiu
a efemeridade sempre perto e verosímil

E este Sol que alcança a Alma em tom maior
que agita o som em magistral alarido
impele a vida rumo a todo e qualquer sentido
mesmo que tudo isso possa ser proíbido
porque ausente a Alma, o corpo não tem sabor

E este Sol iluminura da mediana idade
que governa a Alma em perfeita composição
este Sol patenteia o que já foi saudade
estará presente até à eternidade
sob a figura de arrebatar a Alma à imensidão

O Suicídio




"O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia" – Albert Camus

Não poderemos falar de suicídio sem falarmos da realidade sociológica que lhe está subjacente.
Nesta perspectiva ganha toda a pertinência o estudos realizados pelo sociólogo Emile Durkheim (1897) que, pese embora os anos decorridos, continuam a ser pertinentes.
Segundo Durkheim o suicídio não seria um acto individual na medida em que é a sociedade que determina, com as suas regras e constrangimentos, a necessidade de alguém decidir morrer.

Nesta perspectiva Durkheim identifica quatro tipos de suicídio:


  • O suicídio egoísta em que sendo fracos os laços entre o indivíduo e os outros, nada impede o indivíduo de terminar a vida em momento de desespero.
  • O suicídio altruísta em que o indivíduo estando extremamente ligado à sociedade acaba por não ter vida própria (exs: kamikases, homens-bomba).
  • O suicídio por anomia que acontece quando as normas sociais e leis que governam a sociedade não correspondem aos objectivos de vida do indivíduo. Uma vez que o indivíduo não se identifica com as normas da sociedade, o suicídio passa a ser uma alternativa de escape.
  • O Suicídio fatalista em que a regulação social é completamente instilada no indivíduo; não há esperança de mudança contra a disciplina opressiva da sociedade. A única forma do indivíduo ficar livre de tal estado é cometer suicídio.
  • Sem querer tornar-me exaustiva a aprofundar um tema que tem várias visões e vertentes de análise, detenho-me apenas na base sociológica que remete para a sociedade a responsabilidade pelos suicídios dadas as regularidades das suas ocorrências em diversos países e em pessoas nas mesmas circunstâncias.
    Existe pois uma propensão generalizada, com maior ou menor aderência dadas características individuais, para que o indivíduo que aparentemente decide sobre algo tão amargo e solitário como tirar a si próprio a vida, na realidade não o faça sozinho.
    Muitos são os indivíduos que ao terem conhecimento de que são portadores do HIV optam pelo suicídio. E optam por esse suicídio com medo das sanções sociais, das perdas afectivas, do isolamento e da incapacidade de lutar e de se sentirem úteis. Ou seja, o indivíduo sente-se esmagado pela sociedade que lhe aponta o dedo e que ele se sente demasiado fragilizado para enfrentar.
    A morte de quem desiste – seja quem for - deverá pois pesar em todas as consciências que não souberam escutar, amar, entender e ajudar a caminhar.
    Muitas pessoas, sob uma qualquer ameaça da sua integridade, desenvolvem valências antes inimagináveis e são um desafio que muito nos estimula e fortalece. Elas contribuem mais intensamente, e melhor, para um património comum de conhecimento e trabalho meritório através do apuramento de capacidades adormecidas.
    Seja qual for a causa do suicídio, mesmo em situações de desesperança com receio do sofrimento físico, ninguém deve estar sozinho no momento de se despedir da vida, nem a sociedade deve ser alheia ao que individualmente lhe acontece.

    Texto de: Lídia Soares

    Pensando na morte, olhando para a vida


    Depois do excelente texto da Lidia, sobre a eutanásia e dos comentários deixados que embora não sejam em quantidade suficiente para se tirar uma amostra fidedigna, da qual possamos tirar conclusões, acho que podemos fazer uma reflexão sobre a vida e a morte.
    A vontade de viver parece ser predominante nos comentários, mesmo em pessoas que têm uma vida sofrida e se acham tremendamente infelizes. A morte pensada por aqueles que estão bem e acham que numa situação desesperada a desejariam e mostraram ser a favor da eutanásia não é convincente. Já o testemunho de pessoas que viram em agonia entes queridos que pouco tempo antes de morrer desejavam viver, mesmo estando em grande sofrimento, parece ter mais peso.
    Um cunhado meu, em conversa que tive com ele nos momentos em que estava lúcido, ligado ao doseador de morfina, respondeu-me à pergunta que lhe fiz se tinha medo de morrer, que não, mas mostrava-se preocupado com uma filha que estava a entrar na adolescência e que precisava dele para sobreviver. Para o tranquilizar disse-lhe, que enquanto houvesse um prato de sopa para os meus filhos também haveria para a filha dele. Apertou-me o braço como se estivesse a passar o testemunho, e o seu rosto transmitia uma paz e uma serenidade que nunca antes eu tinha visto. Morreu algumas horas depois.
    O meu pai, homem duro e cuja fé sempre foi de porta de igreja, indo sempre à saída da missa para ver as beldades que lá iam e depois trazer a minha mãe de volta a casa, quando se apercebeu que a morte estava próxima, tinha longas conversas comigo querendo que eu lhe explicasse como era essa coisa da alma e para onde ia, algo que nunca consegui explicar-lhe convincentemente pois também eu não sabia. Valia-me dos ensinamentos da igreja quando era criança nos quais nunca acreditei, mas ele não era parvo e apercebia-se que eu estava com conversa de treta falando sobre algo em que não acreditava. Nos últimos dias de vida deixou de se preocupar com ele e passou a preocupar-se com a minha mãe, sua companheira de mais de cinquenta anos de vida em comum, querendo assegurar o seu futuro enquanto ela por cá estivesse. Teve uma agonia prolongada de muitas horas e só partiu quando eu cheguei e lhe dei um beijo. Morreu alguns minutos depois de eu chegar. Com a ajuda de umas vizinhas dei-lhe o último banho, e vesti-lhe o fato que levaria para a cova. Ia dando os braços e as pernas, como se estivesse ajudando a ser vestido para a última cerimónia em que iria participar. Antes era extremamente difícil movimentá-lo, pois as escaras causavam-lhe dores terríveis mesmo com todos os cuidados. Vim para a rua olhando para o céu como que a procurar o local onde ele estaria não o encontrando. Hoje sei onde ele está, e continua vivo e assim continuará em mim até eu partir. É o meu conforto nas horas de amargura.
    Interrompi o texto por um bocado, pois como devem compreender é penoso para mim falar desta vivencia que não obstante já terem passado perto de quinze anos continua bem viva dentro de mim.
    Voltando ao tema da eutanásia, há pontos a considerar sobre a mesma, focando em especial a decisão a tomar por um ente querido, que na impossibilidade do doente terminal poder revelar o seu desejo de morrer, tem de decidir sozinho ou em conjunto com outros familiares a cessação da vida, quer autorizando o desligar da maquinaria de suporte da mesma, quer pedindo a administração de drogas letais que provoquem a morte sem sofrimento. Espero nunca vir a estar numa situação dessas. Facilitando a vida a pessoas que eu amo e um dia poderão enfrentar essa mesma situação em relação a mim, digo que o meu desejo seria a morte nessas condições. Posso estar mentindo mas penso que procedendo desta forma os estou a ajudar a decidirem, para que em suas consciências possam sempre dizer: -Era o desejo dele.
    A morte e o sofrimento é o que menos desejamos mas é necessário estarmos preparados, porque é impensável fugir dela porque de uma forma ou de outra um dia vai acontecer a todos os seres vivos.
    Continuarei a abordar este tema com mais ou menos regularidade, não porque goste de o fazer, mas porque acho essencial de quando em vez reflectirmos sobre o mesmo.

    Retorno incorpóreo


    Aos poucos tudo voltou a fazer sentido.

    Renascido das trevas, a luz impôs a presença
    e patenteia o caminho que perpetua o existir.
    Ele está aqui
    agora com mais pedras, que guardarei todas
    para construir um castelo
    rememorando o poeta.

    Aos poucos o dia alcançou a força exposta em resumo para não mais terminar.

    O tempo transporta horas apressadas
    ao ritmo de outrora
    e revela a vida
    no despertar quotidiano,
    inevitável, imperativo.

    Aos poucos o futuro é novamente abstracto, sem horizonte.

    Imprescindível na mente
    Onde o que foi ausente
    agora é defronte,
    permanente e presente.

    Aos poucos o sorriso sustenta o sonho que conduz a essência ao peito.

    Confesso-me grato ao efémero
    que oculto cegou o resguardo
    e o respeito por mim
    que agora recupero aos poucos
    à integridade,
    socorro o corpo sem corpo,
    incorpóreo
    e a alma
    pode finalmente voar.

    Paulo, 2008

    chapeuZé Sidas diz: Tiro o chapéu ao teu poema. Parabéns

    Homossexualidade - o eterno dilema

    Assiste-se actualmente (?) a um emergir lento da identidade homossexual aos olhos do mundo, com as revelações de homens e mulheres supostamente rejeitados pela sociedade e pela Igreja devido às diferenças afectivas e sexuais. Após séculos de rejeição, destruição e intimidação, começam a soprar alguns ventos de liberdade.

    A importância da imagem no exercer de uma profissão, o querer enveredar pela vida religiosa torna-se incómoda para quem é homossexual. Numerosos gays e lésbicas ficam “marcados” nas suas vidas, devido à ignorância da Igreja e da sociedade. Esta exclusão é sem dúvida motivada pelo medo e pela ignorância. A Igreja católica não conhece a realidade humana e espiritual com que vivem os gays e lésbicas, aplicando os termos “vergonha”, “desonra” ou “relações anti-natura”. No entanto já se levantam comentários positivos por parte deste órgão como bem manifestam as palavras do Cardeal Patriarca D. José Policarpo sobre o assunto: “ Não sou contra a relação homossexual. Apenas defendemos o valor da família como célula nuclear”(sic).

    Na realidade, estes homens e mulheres, só recentemente se levantaram apesar das feridas já infligidas, e impõem a liberdade de amarem, da única maneira que conhecem. A exclusão de que são vitimas está igualmente relacionada com a ideia de que o homem foi criado como ser heterossexual e que a homossexualidade seria um desvio no plano da Criação, que muitos apelidam de “pecado” ou de “ doença”, termos defendidos por “terapeutas” homofobos que tentam a todo o custo mudar a orientação sexual pela terapia, oração ou se necessário, manter o celibato forçado excluindo qualquer forma de amor sexual. Ou seja, o mesmo que afirmar que a manifestação da sexualidade é um direito exclusivo dos heterossexuais. O Vaticano foi dos primeiros a lançar-se ao ataque alertando para a “propaganda enganosa” das chamadas “comunidades católicas gays” que punham em causa a interpretação das Sagradas Escrituras.

    Não imagino o dilema sofrido por inúmeros homens e mulheres ao descobrirem neles uma determinada orientação sexual sem que para tal tenha havido alguma influência na sua vida. Algo que nasceu neles sem explicação mas que tentam a custo mudar devido ao medo de ser vaiado pela sociedade. Mas mudar esta orientação inata é na realidade, tão fácil como mudar a cor natural dos olhos. Tentar transformar os homossexuais em heterossexuais acaba por provocar sofrimento e um resultado desastroso a nível psicológico e só serve para evitar o diálogo e a aceitação e fomentar a exclusão social. A própria família vê os seus valores abalados quando conhece a existência de um filho(a) homossexual. A vergonha leva os membros da família a controlar estreitamente as suas emoções impondo princípios demasiado rígidos e cuja regra absoluta é calar todo e qualquer assunto.

    Não há um partilhar de sentimentos nestas famílias. Uma criança ou adolescente neste meio que tenha tendências homossexuais experimenta uma vergonha e uma culpa quando sente que foge ao estereótipo da família com valores morais. É obrigado a esconder a sua verdadeira essência representando um papel falso e conformista para ser aceite na família. Esta, e a própria sociedade esquecem-se frequentemente que o ser homossexual também possui qualidades e dons que contribuem de forma positiva para o desenvolvimento da sociedade em que vivem.

    É claro que cada um mede o risco que a revelação da sua condição pode desencadear na sua vida. E avizinhando uma reacção negativa por parte das pessoas muitos optam por assumir sozinhos a guardar para si as pulsões secretas que os levam a querer alguém do mesmo sexo. A não-aceitação de si próprio leva a comportamentos mais desviantes do que se pensa. Enveredar pela bissexualidade é um deles. Os bissexuais ou ditos bissexuais engrossam as estatísticas e são cada vez em maior número. A questão é se se trata mesmo de um interesse por pessoas de ambos os sexos ou se é um meio de mascararem a sua verdadeira homossexualidade, escondendo-se no seio de uma família com filhos, com educação e valores e por outro lado, praticando uma vida dupla na qual existe uma pessoa do mesmo sexo envolvida. É um constante enganar a si próprio e à família que nele acredita.
    Abril 2006 / cedido por M.

    Prognóstico: Manutenção e Conhecimento


    Reconhecer e privilegiar o entendimento da SIDA enquanto doença crónica, enaltecendo aqueles que afincadamente trabalham para o bem-estar dos portadores do VIH, foi ontem intenção da Fundação GlaxoSmithKline, ao atribuir seis bolsas de investigação, numa cerimónia ocorrida no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, fez saber esta manhã o jornal "Público", pelo que aqui apresentamos um resumo da notícia.

    Desde o início dos anos 80 que o vírus se tem alastrado eficazmente pela população mundial, que conta actualmente com mais de 30 milhões de infectados, dos quais, três milhões são crianças, de acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

    A descoberta da cura mantém-se por conquistar, mas a ciência tem dado passos largos e velozes, transformando a patologia numa enfermidade crónica, numa doença para toda a vida, onde os portadores não sucumbem directamente à acção devastadora do vírus, desde que tenham acesso às eficazes e cada vez menos tóxicas terapias antiretrovirais, disponíveis nos países industrializados. Prolonga-se a vida, com a maior qualidade possível.

    Instala-se o cepticismo na descoberta de uma vacina terapêutica eficaz, na medida em que, a infecção pelo VIH, paralisa a resposta do doente a uma candidata vacina, na medida em que este vive imunologicamente em permanente deficiência. Tenta-se agora agir de outro modo, estudando a possibilidade de restaurar o sistema imunitário, onde as células estaminais poderão ter um papel importante a desempenhar.

    A mesma notícia releva a preocupação médica em cuidar da saúde mental dos doentes, na medida em que, sendo a patologia entendida como crónica, os portadores podem viver muitos anos, pelo que é importante e vital aumentar o seu bem-estar fisico e emocional. Factores relacionados com a aplicabilidade de uma nutrição específica, que reduza o aparecimento de complicações cardiovasculares, estão também a ser investigados, na medida em que, se têm mantido esquecidos de estudo aprofundado até então.

    As terapias antiretrovirais são as que permitem sustentabilizar a SIDA como doença crónica. No entanto, os efeitos secundários temíveis, onde a lipodistrofia coloca um rótulo directo no doente e prejudica a sua qualidade de vida, quer em saúde, quer em sociedade, representam o lado negro do tratamento. A lipodistrofia caracteriza-se por um emagrecimento acentuado, causado pela perda de gordura subcutânea, no rosto e membros superiores e inferiores, contrastando com o aumento excessivo da gordura a nível abdominal, o que é estigmatizante, pois identifica directamente o doente perante a sociedade, além de lhe causar problemas de saúde associados à redistribuição anormal de gordura.

    A notícia refere ainda as particularidades do VIH2, que associado à infecção no mesmo doente também com o VIH1, estabelece uma dupla infecção. Os doentes com VIH2 utilizam apenas as terapias existentes para o VIH1. Portugal é o país da UE com maior número de casos de VIH2 registados (463).

    As terapias são aplicadas tendo em conta que cada doente representa um caso individual. É preciso definir o melhor momento para iniciar a terapia, que será, à partida, para toda a vida, visando neutralizar o normal trajecto do vírus e proteger o sistema imunitário, salvaguardando o doente de infecções oportunistas e consequentemente da morte anunciada.

    Silenciosamente Resistente


    O portador do VIH, mantém durante toda a vida uma rotina clínica, onde periodicamente efectua análises sanguíneas que são seguidas de uma consulta de Infecciologia ou de Medicina Interna, visando avaliar o estado em que se encontra a sua infecção.

    As análises ao sangue são abrangentes, incluíndo as análises comuns denominadas por hematologia e as análises específicas, que quantificam o número absoluto das células de defesa (CD4), assim como a sua percentagem, e quantificam também a carga viral, isto é, a quantidade de VIH existente por mililitro de sangue. É ainda analisada a química clínica, a imunologia, a imunoserologia, sendo por último obtidas as unidades existentes de marcadores tumorais.

    O objectivo é detectar precocemente qualquer alteração que sugira ao médico assistente a imediata intervenção. Muitas pessoas, não infectadas, passam anos a fio, sem efectuarem quaisquer análises o que pode ser prejudicial à detecção de qualquer patologia que se encontre em evolução, silenciosamente. O portador do VIH é seguido de perto, de três em três meses, ou caso a sua situação clínica se mantenha estável, poderá ser seguido com intervalos maiores, de seis em seis meses.

    Na infecção pelo VIH, há que determinar periodicamente o controlo do vírus no organismo, a recuperação e manutenção do sistema imunitário e a acção dos efeitos secundários dos antiretrovirais, cuja química clínica é indicador preciso da sua interferência negativa.

    No tempo decorrente entre análises e consulta periódicas, o seropositivo poderá apresentar sintomas relacionados com os efeitos secundários da medicação a que está sujeito, devendo informar o seu médico assistente em caso de persistência.

    Por outro lado, no tempo decorrente entre análises, o portador do VIH, poderá não apresentar quaisquer sintomas que interfiram com o seu bem estar, enquanto ocorre silenciosamente uma subida da sua carga viral, isto é, da quantidade do vírus da SIDA, existente no seu organismo, que se pretende sempre indetectável, ou seja, inferior a 50 cópias por mililitro de sangue, viabilizando assim a manutenção do sistema imunitário, sem que este seja destruído pelo VIH, evitando o avanço para o estádio de SIDA e protegendo o organismo de infecções oportunistas, que poderão ser irreversíveis.

    A esta subida e permanência de carga viral, chama-se resistência, que traduz inequívocamente que o VIH criou resistências aos antiretrovirais em utilização pelo portador, por ser capaz de sofrer mutações e apresentar-se como um novo vírus, que os medicamentos não reconhecem. Consequente, novas opções terapêuticas terão de ser iniciadas, novos efeitos secundários serão uma realidade e as opções clínicas futuras serão reduzidas.

    Actualmente existem medicamentos para tratar o VIH em número razoável, distribuidos por várias classes que se associam entre si. No entanto, não existem opções terapêuticas para toda a vida e a sua falência definitiva é ainda uma inevitabilidade, mesmo que a longo prazo.

    Como portador do VIH, sempre que se aproximam as próximas análises e a próxima consulta, o meu desejo maior, passa sempre e em primeiro lugar por me manter indetectável quanto à presença do vírus e que seja possível continuar a suportar os efeitos secundários dos antiretrovirais a que estou submetido, evitando a sua substituição por outros mais potentes e consequentemente mais tóxicos.

    Odele Mãe Coragem


    Há algum tempo que trago na ideia redigir um post dedicado a Odele. Não o fazer, representaria um erro irremediável, pelo que me recuso a cometer essa falta perante uma pessoa cuja mensagem de amizade e esperança prolifera pelo mundo fora, todos os dias e em todos os momentos.

    Odele é um exemplo de vida perante a adversidade que em 6 de Janeiro de 1998 lhe bateu à porta, através de um acidente ocorrido com sua filha Flávia, cujos cabelos foram sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio ondem moravam, em Moema, São Paulo, Brasil. Consequentemente, Flávia ficou em coma vigil, mantendo-se assim até aos dias de hoje. Flávia tem hoje vinte anos, dez dos quais, permanece adormecida pelo coma vigil em que se encontra.

    De um momento para o outro, a vida de Odele sofreu uma transformação em todos os sentidos. Teve de abandonar o seu emprego, para permanecer em casa, dia e noite, para cuidar de sua filha, dependente de apoio em todos os sentidos. Há 10 anos que a Vida de Odele é dedicada à manutenção da vida de Flávia, que recebe todos os cuidados médicos e de sua mãe, para poder viver com a maior qualidade de vida possível. Flávia cresceu adormecida para a vida.

    Odele mantém viva a luta para que a Justiça brasileira seja feita. Como em Portugal, a justiça é lenta e alheia a quem foi vitima de um flagelo que lhe retirou a vida activa, determinando também a felicidade desta familia. Inúmeras são também as dificuldades para manter Flávia com todos os cuidados de que necessita, para viver com dignidade. É necessário o apoio diário de Masé, auxiliar de enfermagem, que executa afincadamente o seu trabalho, realizado com todo o amor e dedicação, a esta princesa adormecida. Flávia necessita de cuidados acrescidos com a higiene, com a alimentação, além das sessões de fisioterapia e dos cuidados médicos permanentes.

    Odele nunca cruzou os braços, nunca desistiu. Procurou todas as formas possíveis, sempre na tentativa vã de recuperar Flávia do seu coma vigil. Acreditou em tudo. Acreditou em todos. Acreditou em Deus. Na blogosfera, atrávés do blogue Flávia vivendo em coma, cujo "link" se encontra na nossa barra lateral, Odele criou uma corrente de solidariedade, com uma dimensão mundial. Foi e é na blogosfera, que Odele fez e faz amigos todos os dias. De mãos dadas, todos estamos juntos com Odele, visando a manutenção da dor, em prol da causa de Flávia. Em primeiro lugar e acima de todas as coisas, Odele acredita na amizade entre as pessoas.

    Odele é uma super mãe e uma super amiga. Adere a todas as causas que promovam a dor e o sofrimento. Odele é solidária com os portadores do VIH, sendo também madrinha de Júlia, uma criança infectada pelo vírus da SIDA.

    Não tenho palavras suficientemente claras e ilucidativas que traduzam a grandeza de Odele. Símbolo de coragem, de esperança, de solidariedade, de amor, de afecto, de amizade, de carinho e de uma grande, enorme e imensa humanidade.

    Odele inspira-me a cada momento que passa. Porque sou portador do VIH e porque também sinto a dor de estar infectado, ainda que lute por a superar todos os dias, sempre que me encontro triste e desiludido, penso em Odele e em Flávia, e concluo de imediato que nem só na SIDA está a dor. A dor está em todos aqueles que sofrem desmesuradamente, por tempo indeterminado.

    Odele, super mãe, mãe coragem, aplaudo de pé o grande ser humano que demonstra ser. Tenho por Si o maior respeito, o maior carinho e a maior admiração. As lágrimas que me rolam pelo rosto teimosamente, são de esperança, para que todos os dias, aqui ou em outro lugar até, a dor possa ser minimizada, a justiça possa ser feita e Odele possa ser recompensada, através do afecto, do carinho e da amizade, que todos temos por si, sendo o seu exemplo, um colírio permanente para a nossa alma e para o nosso espirito.

    Simplesmente, gosto muito de Si.

    Uma Companhia para a VIHda


    Se é portador do VIH/SIDA não precisa de desfazer-se do seu animal de estimação. No entanto e ainda que os riscos sejam baixos poderá contrair uma infecção com o seu animal de estimação ou outros animais. É suficiente tomar algumas precauções simples em relação a animais de estimação ou outros animais. O VIH não pode propagar-se através de gatos, cães, aves ou outros animais de estimação.

    Devo manter os meus animais de estimação?

    Sim. A maior parte das pessoas com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) podem e devem manter os seus animais de estimação. Ter um animal de estimação pode ser gratificante. Os animais podem ajudar a sentir-se melhor sob ponto de vista psicológico e inclusivé fisicamente. Para muitas pessoas os animais de estimação são mais que simples animais... são como membros da família. Sem dúvida, é importante que conheça bem os riscos de ter um animal ou de cuidar de animais. Os animais podem ser portadores de infecções perigosas. A decisão de possuir ou cuidar de animais deverá fundamentar-se no conhecimento do que precisa para proteger-se das infecções.

    Que tipo de infecções pode um animal transmitir-me?

    Os animais podem ser portadores de criptosporidiose, toxoplasmose, o complexo Mycobacterium avium e outras doenças. Estas doenças podem causar-lhe problemas como diarreia severa, infecções cerebrais e lesões na pele.

    Que posso fazer para me proteger de infecções propagadas por animais?

    Lave sempre as mãos com água e sabão depois de brincar ou de cuidar dos animais. Isto é particularmente importante antes de comer ou tocar em alimentos.
    Seja cuidadoso com o que comem ou bebem os seus animais. Alimente-os somente com comida para animais ou cozinhe bem a carne antes de a dar ao seu animal. Não lhes dê carne crua ou mal cozida. Não permita que os seus animais bebam água não potável ou que mexam no lixo. Não permita que apanhem ou comam excrementos de outros animais.
    Não toque nos animais que tenham diarreia. Se a diarreia durar mais que um ou dois dias peça a um amigo ou familiar que não esteja infectado pelo VIH que leve o animal ao veterinário. Peça ao veterinário que determine quais são as infecções que possam ter causado a diarreia.
    Não leve para sua casa um animal doente. Não adquira um animal de estimação que tenha mais de seis meses de idade, especialmente se tiver diarreia. Se comprar um animal numa loja, num local de criação ou num canil municipal de animais, verifique as condições sanitárias e licenciamento desses locais. Se não tem a certeza acerca do estado de saúde do animal peça a um veterinário que o examine.
    Não mexa em animais estranhos pois podem arranhá-lo ou morder-lhe. Os animais abandonados podem ser portadores de muitas infecções.
    Nunca toque nos excrementos de nenhum animal.
    Faça mudar diariamente a areia higiénica do seu gato por alguém que não esteja infectado com o VIH e que não seja uma mulher grávida. Se tiver que limpar a caixa pessoalmente use luvas de vinil ou borracha e lave as mãos com água e sabão logo após ter mudado a areia.
    Mande cortar as unhas ao seu gato para que ele o não arranhe. Fale com o veterinário sobre outras maneiras de evitar as arranhadelas. Se for arranhado ou mordido lave imediatamente as feridas com água e sabão.
    Não permita que ao seu animal lamba a sua boca ou qualquer ferimento que possa ter.
    Não beije o animal.
    Mantenha o animal sem pulgas.
    Evite répteis como serpentes, lagartos ou tartarugas. Se tocar num réptil lave imediatamente as mãos com água e sabão.
    Use luvas de vinil ou borracha quando limpar os aquários ou gaiolas dos animais e lave muito bem as mãos depois de terminar a tarefa.
    Se for mordido pode precisar de uma consulta médica.

    Tenho um emprego onde trabalho com animais. Devo abandoná-lo?

    Os empregos que requerem trabalhar com animais (lojas de animais, clínicas veterinárias, quintas ou matadouros) aumentam o risco de infecções. Fale com o seu médico acerca disso e se deve trabalhar com animais. As pessoas que trabalham com animais devem ter estas precauções especiais:
    Cumprir as normas de segurança do seu local de trabalho e reduzir todo o risco de infecção.
    Usar roupas e utensílios de protecção como batas, botas e luvas.
    Não limpe galinheiros nem cave em áreas onde poisem aves que possam ter histoplasmosis.
    Não toque em crias de animais de quintas, especialmente se tiverem diarreia.

    Pode uma pessoa contaminar o seu animal de estimação?

    Não. O VIH não pode propagar-se através de gatos, cães, aves ou outros animais. Muitos vírus podem causar doenças que são parecidas com a SIDA, como o vírus da leucemia felina dos gatos. Estes vírus causam doença somente em certos animais e não podem afectar outros animais ou os seres humanos. Por exemplo o o vírus da leucemia felina dos gatos só infecta gatos mas não pode infectar os seres humanos ou os cães.

    Que análises deve fazer ao seu animal antes de o levar para casa?

    O animal deve estar em boa saúde. Não é necessário fazer análises especiais a menos que o animal tenha diarreia ou pareça doente. Se o animal estiver doente o seu veterinário pode ajudá-lo a determinar o tipo de análises que são necessárias.

    Que fazer quando visito amigos ou parentes que tenham animais?

    Quando visitar alguém que tenha animais tome as mesmas precauções como se estivesse na sua própria casa. Não toque em animais que possam estar doentes. Alguns animais como os gatos podem morder ou arranhar para afastar as crianças. Os adultos deveriam ser particularmente vigilantes e supervisionar a lavagem das mãos de uma criança infectada com o VIH para prevenir infecções.

    Diagnóstico Recente?


    Tomar conhecimento que o seu teste para o VIH é positivo pode ser uma experiência assustadora e preocupante. Se bem que isso seja difícil de prever, o saber que é seropositivo deve pressupor que esteja em situação de agir no sentido de melhorar a sua saúde e de prolongar a sua vida.

    Agora deve ter a oportunidade de poder ser monitorizado com regularidade e, se for caso disso, de ser tratado com medicamentos antiretrovirais ou outros medicamentos que previnam as infecções e as doenças que são frequentes nas pessoas com o VIH. Quanto mais tardiamente for feito o diagnóstico, maiores serão as lesões provocadas pelo vírus no seu sistema imune, o que poderá aumentar a dificuldade de actuação dos antiretrovirais e dificultar também a actuação e o controle dos medicamentos usados para as infecções.

    No dia do diagnóstico

    A maior parte dos centros de testes oferecem aconselhamento pré e pós-teste. Se tiver necessidade de um suporte adicional pergunte ao seu médico como fazê-lo.

    Tomar decisões

    A altura em que soube do seu diagnóstico é uma má altura para tomar decisões sobre o futuro. Tais decisões podem ir desde o momento em que vai iniciar tratamento até à decisão de contar à sua família ou amigos o seu diagnóstico.

    Muitas pessoas não começam tratamento nesta fase. Será mais provável que comece a fazer testes com regularidade para saber como está a sua saúde e para poder ajudar o seu médico e a si próprio a compreender melhor como é que o seu corpo se sente com o VIH e como reage ao mesmo.

    Se a sua doença estiver mais avançada então poderá ser necessário apressar a toma de medicação, em especial se não se sentir bem. É pouco provável que tenha que iniciar tratamentos de imediato e em geral deve ser proposto algum tempo de reflexão, dias ou semanas para se abordarem as opções terapêuticas.

    Apoio médico

    É importante que se sinta bem com o seu médico e hospital. Está no seu direito de não receber tratamento no local onde foi feito o diagnóstico. Poderá fazer tratamento numa localidade onde não reside.

    Algumas pessoas preferem grandes centros onde tratem muitos doentes enquanto que outras preferem pequenos hospitais, com menos problemas. Contudo é importante que seja tratado por um médico com experiência no tratamento do VIH.

    Uma vez escolhido o hospital, deve pensar que terá que recorrer pelo menos de três em três meses ao hospital. Nestas alturas terá oportunidade para conversar com o seu médico sobre a sua saúde, fazer análises de controle, particularmente a contagem de CD4 e a carga viral. Estes testes são usados para prever o risco de desenvolvimento de doenças e para o ajudar a decidir o início do tratamento antiretroviral.

    Se começar tratamento, quer seja pelo VIH quer seja porque por exemplo seja incluído num ensaio clínico, pode ser-lhe pedido que vá ao hospital mais frequentemente.

    Aprendendo acerca do VIH

    Ao princípio começa por ouvir falar duma série de termos médicos que lhe são desconhecidos. Não se aborreça porque há muitas fontes de informação que pode consultar para se tranquilizar. Peça sempre ao seu médico para lhe explicar o que não perceber. Outras pessoas do hospital, tais como, enfermeiros e farmacêuticos podem também dar-lhe explicações. Se tiver ainda dúvidas ou incertezas peça material informativo escrito.

    Declaração

    Não se precipite sobre a quem e quando deve declarar o seu estado de seropositividade. Pense como deve fazê-lo. Que tipo de suporte será necessário para isso? Pode prever qual será a sua pior ou melhor reacção?

    Comece por aqueles que estão mais perto na sua relação e que o podem ajudar; considere esperar para contar a outras pessoas, tais como colegas de trabalho ou outros, dado que a reacção deles pode ser prejudicial para si.

    Reuniões de grupos de pessoas

    Algumas pessoas consideram importante o apoio de outras pessoas com VIH, mas há outras que não consideram. Se houver uma associação local que se dedique a esse tipo de reuniões experimente a ajuda, onde poderá ouvir outras experiências. Não pense que vai receber benefícios de um grupo se não se sentir bem no seu meio e não sinta que cometeu um erro se não tiver reagido ao diagnóstico do mesmo modo que os outros. Não há o certo ou o errado na sua seropositividade mas é importante que comece com acção e que busque informação que necessita para ter uma vida saudável e longa.